A execução de um homem com seis tiros, sick além de outros dois que acabaram feridos, sickness ontem de madrugada, em Ceilândia, é mais um capítulo da história que envolve um intenso esquema de tráfico de drogas no centro da maior cidade do Distrito Federal. Quadrilhas utilizam como cobertura as escuras pistas de dança de várias boates espalhadas pela quadra QNN 02, uma das mais movimentadas da região.
Investigações feitas pela Polícia Civil apontam que a maioria dos frequentadores das casas noturnas são traficantes, ex presidiários e homens com mandados de prisão em aberto. Suspeitos conhecidos como “vapores” aproveitam o grande número de usuários que vão para as boates para vender a maior quantidade possível de drogas durante as madrugadas.
Flagrantes feitos por agentes da Divisão de Inteligência (Dipo), com a ajuda de microcâmeras equipadas com infravermelho, revelam que o consumo de drogas como cocaína, merla e crack corre solto no interior das boates. As imagens da polícia mostram restos de carreiras do pó branco sobre caixas e balcões que ficam no interior das casas noturnas. O local também é ponto constante de integrantes de quadrilhas que aproveitam a hora da saída dos clientes para se confrontar com membros de bandos rivais.
O acerto de contas quase sempre acaba em morte. Foi o que ocorreu, às 4h30 desta segunda-feira, em frente à boate Ilha. Daniel de Souza Pereira, 29 anos, acabou executado com seis tiros na porta da boate. Outros dois homens que estavam em sua companhia também acabaram baleados. Dênis de Jesus Ribeiro da Silva, 26 anos, levou cinco tiros, mas sobreviveu e está internado em observação no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). O outro baleado, Isaías Rabelo de Freitas, 28, levou um tiro de raspão na barriga. Ele foi medicado e liberado em seguida.
De acordo com o delegado-chefe da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro), Adval Cardoso de Matos, que investiga o caso, os crimes que ocorrem nas proximidades das boates quase sempre estão vinculados ao tráfico de drogas e à disputa por território. “Não existe qualquer tipo de fiscalização nestes locais, quem quiser entra armado ou portando a quantidade de drogas que desejar. Tanto o consumo quanto o tráfico ocorrem com a maior tranquilidade”, afirmou.
Investigação
O trabalho de investigação para chegar aos autores dos homicídios é dificultado por um pacto de silêncio firmado entre os frequentadores das boates. Segundo o delegado, ninguém está autorizado a delatar os autores dos crimes. É que as consequências do caso podem ser a morte. “Trouxemos para a delegacia duas testemunhas. Ambas mantiveram o mesmo discurso, não viram quem atirou, só escutaram os tiros”, disse.
A política do “ninguém sabe, ninguém viu” foi reforçada pelo fato de centenas de pessoas estarem na porta da boate quando a chuva de tiros ocorreu. Os policiais civis que estiveram no local para atender à ocorrência chegaram a ter dificuldades para conseguir testemunhas do assassinato. “Por muita sorte mais pessoas não foram baleadas. A princípio, pelo menos 12 tiros foram disparados, mas a quantidade pode ser bem maior”, afirmou Adval Cardoso.
Uma das testemunhas que estava na porta da boate na hora da execução, ficou presa após prestar depoimento. Edirlei Ferreira, 29 anos, tinha dois mandados de prisão em aberto por porte ilegal de arma. “Esse fato comprova a vida pregressa das pessoas que costumam ir a essas boates. As outras três vítimas do caso de ontem tinha passagem pela polícia. Inclusive, a que morreu já tinha respondido criminalmente por tentativa de homicídio”, explicou o delegado.