Mulheres, travestis e transexuais, na faixa etária de dez a 29 anos, com baixa escolaridade e solteiros. Essas são as características mais frequentes das vítimas do tráfico humano. Quem traça o perfil é o secretário Nacional de Justiça do Ministério da Justiça (SNJ/MJ), Paulo Abrão. A edição de ontem do Jornal de Brasília mostrou o drama de quem foi vítima do crime. Pelo menos 337 brasileiros sofreram exploração sexual no exterior, de 2005 a 2011.
Apesar de as mulheres predominarem entre as vítimas, segundo Paulo Abrão, os homens também são atraídos. Nesse caso, as promessas são oportunidades de jogar futebol no exterior. “Na maioria das vezes, essas pessoas são motivadas por sonhos de uma vida glamourosa, em razão de uma vulnerabilidade econômica e até pelo sustento dos filhos. De fato, muitos acabam enxergando uma oportunidade de mudar de vida”, avalia.
Metas
Um segundo plano das políticas de enfrentamento ao problema entrou em vigor na semana passada, com 115 metas que deverão ser cumpridas nos próximos quatro anos. Integrados ao programa, 13 postos de atendimento humanizados aos imigrantes e 16 núcleos estaduais de enfrentamento ao tráfico de pessoas foram instalados em diversos estados do País. “A intenção é promover uma integração de fortalecimento de políticas públicas para a prestação de serviço às vitimas”, explica Paulo Abrão.
Os postos são instalados em locais de grande circulação de pessoas e são responsáveis por atendimento imediato. Já os núcleos têm função de articular no ponto de vista político-técnico a implementação do plano nacional. A expectativa é construir novos dez núcleos ou postos até o fim de 2014 em regiões estratégicas de fronteira. Os investimentos são calculados em R$ 6 milhões. Para denunciar o crime, existe o telefone 180. A ligação é gratuita.
Políticas públicas na capital
A responsável pela Gerência de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria de Justiça (GETP/Sejus), Marta Helena Santos, destaca que um convênio executado desde 2012 com o Governo Federal permite o atendimento psicojurídico e a realização de palestras. Um comitê distrital foi criado com as secretarias de Segurança Pública, de Turismo e de Trabalho para que haja um maior espaço de diálogo e desenvolvimento de políticas públicas para o combate ao tráfico.
Oportunidade
“A maioria das pessoas acaba aceitando o aliciamento pela vulnerabilidade financeira. Enxergam na proposta do crime uma oportunidade de trabalho”, explica Marta.
Segundo ela, em alguns casos, os aliciadores oferecem a prostituição internacional para as pessoas que já trabalham como profissionais do sexo. No entanto, a maior parte das vítimas aceita sem saber da exploração sexual. “Algumas sabem com o que estarão lidando, mas não sabem que ao chegar no destino, terão o seu direito de ir e vir interrompido, sofrerão ameaças e agressões”.
No caso de Viviane (nome fictício), a moradora do DF foi atraída com a promessa de um emprego na Espanha. Lá, foi obrigada a se prostituir, como mostrou o JBr ontem. “ Parecia uma prisão”, relatou.
Blitz no Aeroporto
Nesta quinta-feira, a Sejus realizará ações no Aeroporto Internacional de Brasília, das 7h às 10h e das 17h às 20h. Haverá a entrega de folderes com informações sobre o tráfico de pessoas. A iniciativa tem como objetivo conscientizar e alertar as pessoas sobre a incidência do crime.