Carlos Carone
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A expressão “enxugar gelo”, muito usada por investigadores e delegados da Polícia Civil do Distrito Federal nunca refletiu tanto a realidade como agora. Dos 107 traficantes presos nos primeiros três meses deste ano, na área central de Brasília, nenhum permanece encarcerado, segundo fontes da Secretaria de Segurança. Entre as 2,8 mil pessoas que foram detidas no mesmo período, por algum tipo de delito, apenas 700 suspeitos não conseguiram se livrar das grades.
Outros crimes graves como roubo à mão armada, roubo e furto de veículos também seguem a mesma tendência. Entre os 10.773 presos no ano passado, 2.693 permanecem detidos aguardando uma decisão da Justiça. Tanto em 2011 quanto neste ano, os números apontam que somente 25% dos suspeitos não foram libertados. Isso preocupa a cúpula da Secretaria de Segurança, que se vê às voltas com altos índices de roubos com restrição de liberdade – os chamados sequestros relâmpago –, roubos de veículos e tráfico de drogas que ocorrem em diversos pontos do DF, muitas vezes em plena luz do dia.
A pouca ou quase nenhuma permanência de suspeitos presos pela polícia – muitas vezes em flagrante – levanta uma série de questões sobre o trâmite que passa pela Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Justiça. Inquéritos policiais pouco respaldados por provas consistentes, denúncias mal elaboradas e até brechas no Código Penal Brasileiro podem resultar na liberdade de criminosos que chegam a ser presos duas, três ou até quatro vezes em curtos períodos de tempo.
Segundo fontes policiais ouvidas pela reportagem do Jornal de Brasília, é comum pequenos traficantes e ladrões de veículos serem presos de forma consecutiva várias vezes no mesmo ano. “Realmente a impressão que dá é que estamos “enxugando gelo”. Existem várias atenuantes que facilitam a vida dos suspeitos presos, principalmente na visão dos magistrados. Quantos casos ocorrem todos os dias de homens que cumprem prisão domiciliar e são presos em via pública após cometerem um homicídio? Tudo isso contribui para o aumento da criminalidade no DF”, disse um integrante da Polícia Civil que preferiu não se identificar.
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