Menu
Brasília

Trabalho voluntário impulsiona reflorestamento no Parque Ecológico de Águas Claras 

Há oito anos, moradores cultivam mudas de espécies nativas, recuperam áreas degradadas e mostram que cuidar da natureza também é uma forma de cuidar das pessoas

Débora Oliveira

17/07/2026 18h23

whatsapp image 2026 07 07 at 14.05.50 (1)

Fotos cedidas por Rosa Coelho

Quem passa pelo Parque Ecológico de Águas Claras talvez admire a sombra das árvores, o canto dos pássaros ou a paisagem cada vez mais verde, sem imaginar que, por trás desse cenário, existe uma rede silenciosa de pessoas que dedica parte do tempo livre para devolver vida ao Cerrado.

Foi dessa união entre comunidade e amor pela natureza que nasceu, em 2018, o grupo de voluntários responsável pelo Viveiro do Parque Ecológico de Águas Claras. O espaço, localizado atrás da Administração do parque, funciona diariamente, das 8h às 18h, e se tornou referência na produção de mudas de espécies nativas, recuperação de áreas degradadas e educação ambiental.

whatsapp image 2026 07 07 at 14.05.51

A iniciativa começou de forma simples. O servidor do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Rui, já produzia mudas no local quando moradores decidiram se unir para fortalecer o trabalho. “Havia o senhor Rui, servidor do Ibram, que já fazia mudas no viveiro. Então a comunidade resolveu criar um grupo de voluntários para cuidar do espaço. Com o apoio do Ibram e da gestão do parque, conseguimos melhorar a estrutura e torná-la mais acolhedora para quem trabalha aqui”, relembra a comerciante e voluntária Rosa Coalho.

Poucos meses depois, um dos maiores incêndios registrados no Parque de Águas Claras mudou a história do viveiro. As chamas consumiram parte da vegetação em 2018, mas também despertaram um movimento coletivo de recuperação ambiental. “O projeto ganhou ainda mais força depois do incêndio. Fizemos um grande trabalho de reflorestamento junto com a comunidade e percebemos que, quando as pessoas se unem, conseguem transformar um cenário de destruição em esperança”, conta Rosa.

whatsapp image 2026 07 07 at 14.05.45

Hoje, o viveiro produz entre mil e duas mil mudas por ano, todas destinadas à recuperação do próprio parque e de outras áreas do Distrito Federal, como margens de rios, escolas e projetos ambientais. Entre as espécies cultivadas estão cagaita, cajuzinho-do-cerrado, araçá, xixá e dezenas de outras árvores típicas do bioma.

Todo o processo é realizado pelos voluntários. As sementes são coletadas no Cerrado e em outros parques, passam pelas sementeiras e são cultivadas em recipientes produzidos a partir de garrafas PET recicladas. Depois, permanecem sob cuidados constantes até o período das chuvas, entre novembro e março, quando são levadas para o plantio definitivo.

whatsapp image 2026 07 07 at 14.05.46 (1)

“Mesmo depois de plantadas, continuamos acompanhando o desenvolvimento das mudas até que estejam fortes. Nosso objetivo é garantir que elas realmente sobrevivam e cumpram seu papel na natureza”, explica a voluntária.

O trabalho vai muito além das árvores. No viveiro também há uma pequena horta comunitária, compostagem, orquidário e um pomar. Os voluntários podem levar para casa ervas medicinais e temperos cultivados no espaço, fortalecendo a conexão entre preservação ambiental e qualidade de vida.

A rotina é flexível e acolhedora. Cada participante escolhe o dia, o horário e a atividade com a qual mais se identifica. “Cada voluntário faz aquilo de que gosta. O voluntariado não é apenas trabalho, é uma terapia maravilhosa”, afirma Rosa.

whatsapp image 2026 07 07 at 14.05.46

Atualmente, cerca de 80 pessoas fazem parte do grupo, embora aproximadamente 40 participem regularmente das atividades. Para a coordenadora, o maior desafio é ampliar esse número. “Muitas pessoas dizem amar a natureza, mas poucas estão dispostas a trabalhar por ela. Se tivéssemos mais voluntários atuantes, poderíamos fazer muito mais pelo Cerrado”.

Entre os momentos mais marcantes da trajetória está a criação do Bosque dos Voluntários, em 2020. Em uma área completamente degradada, moradores plantaram centenas de mudas e transformaram o espaço em um símbolo da força da mobilização comunitária. “Foi emocionante ver tantas pessoas reunidas para recuperar um lugar que parecia perdido. Hoje, quem frequenta o parque há anos consegue perceber a diferença que esse trabalho fez”, comenta a voluntária do projeto. 

whatsapp image 2026 07 07 at 14.05.50

Além de receber novos voluntários, o viveiro também aceita doações de adubos, insumos, pó de café, cascas de ovos e outros materiais utilizados na produção das mudas. Mas, para Rosa, a maior contribuição continua sendo a presença das pessoas.

“A natureza agradece cada mão que chega para ajudar. Nada do que construímos teria sido possível sem cada voluntário que deixou sua casa, sua família e dedicou um pouco do seu tempo para cuidar do futuro. São pessoas que acreditam que é possível deixar um clima melhor e um mundo mais verde para as próximas gerações”, pontua. 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado