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Brasília

Tiro? Nem de brincadeira

Arquivo Geral

16/04/2013 8h25

A arma de fogo é o principal instrumento para homicídios no Distrito Federal. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, de janeiro a março deste ano foram registradas 188 ocorrências deste crime. Do total de casos, 148 partiram de revólveres, pistolas e instrumentos semelhantes. Esta cultura também é vista na brincadeira de crianças. Nas ruas ou e m casa, os pequenos brincam com diversas e coloridas versões de armas.

 

O Governo do Distrito Federal (GDF), preocupado com essa cultura, lançou ontem, no Dia do Desarmamento Infantil, a campanha “Arma não é brinquedo: dê livros”. O evento reuniu crianças e jovens no Teatro do  Sesc Ceilândia para uma ação socioeducativa para incentivar os jovens a trocar armas de brinquedo por livros.

 

Comportamento

A campanha deverá incentivar um comportamento pacífico nas ações da sociedade, principalmente na resolução de problemas a partir de pequenas atitudes, como a troca de brinquedos que estimulem a violência por livros ou outros brinquedos que incentivem a criatividade e o diálogo. Um ponto importante é incentivar o diálogo entre pais e filhos como instrumento necessário para resolver problemas, em vez da violência.

 

O governador Agnelo Queiroz disse que “a troca de brinquedos que provocam a violência por livros é importante para o desenvolvimento da paz entre as crianças”. Já o secretário de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do DF (Sejus), Alírio Neto, acredita que a campanha pode tornar o Brasil um país de cultura de paz. “Queremos fazer do Brasil, um lugar onde a cultura das pessoas seja ligada à paz, sem violência.”

 

Símbolos

Segundo a subsecretária de Proteção às Vítimas de Violência (Pró-Vítima), Valéria Velasco, as armas de brinquedo são símbolos de uma cultura de destruição e violência. “A arma foi feita para matar. Mesmo que seja de brinquedo, ela passa essa mensagem”, critica. Neste sentido, a partir de hoje a Pró-Vítima, vinculada a Sejus, lançará a campanha “Brasília entra em campo por um mundo sem armas, sem drogas, sem violência e sem racismo”. O tema será justamente: “Arma não é brinquedo”.

 

Proibição de vender

O Palácio do Buriti prepara um projeto de lei (PL) para proibir a venda de armas de brinquedo no DF. Hoje, as linhas do Estatuto do Desarmamento impõem restrições para as cópias quase perfeitas. A intenção é ampliar a proibição para os brinquedos que ainda chegam às mãos das crianças. A ideia é debater a matéria com os deputados distritais e os comerciantes. Prazos deverão ser definidos para eles se desfazerem dos estoques.

 

Segundo a subsecretária Valéria Velasco, o combate à cultura da violência deve partir de múltiplas frentes. Por esta razão, a Pró-Vitima deverá abrir novo núcleo de atendimento em Ceilândia em maio, entre a QNN 5 e a QNN 7, um dos setores mais perigosos da cidade, com dezenas de bocas de fumo. “A Polícia Civil considera a área como uma das mais violentas”, diz Valéria. 

 

Pistola

Moradora da região que engloba a QNN 5 e a QNN 7, C.S., 30 anos, conta que brincar com arma de brinquedo nunca fez parte do cotidiano de seu filho, G.C., 6 anos. Um dia, porém, ele montou a figura de uma pistola com blocos educativos. A mãe tomou a peça das mãos da criança de imediato. “Não gosto de ver arma de brinquedo. E sempre falei para ele ficar longe delas”, diz.

 

Opinião bem diferente da comerciante Suely Rodrigues. Responsável por uma loja de brinquedos, ela não vê qualquer problema nas armas infantis. “Meu filho tem várias armas do gênero. Isso é uma coisa que os pais têm que saber levar na educação dos filhos”, afirma. A comerciante conta que as armas de brinquedo têm grande venda em seu estabelecimento.

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