Houve algumas divergências nos depoimentos das testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Algumas testemunhas afirmaram que era Vanda, organizadora da festa juntamente com seu marido, que controlava a entrada de convidados, já outras afirmaram que quem fazia esse trabalho era o piloto do barco, Airton Carvalho da Silva Maciel. Algumas testemunhas afirmaram que foi dada uma orientação da existência e localização dos coletes salva-vidas, no entanto outras alegaram que não receberam essa orientação. Segundo uma testemunha, alterações na estrutura do barco podem ter causado o naufrágio.
Luciana, sobrevivente do naufrágio, afirmou que já havia visto em outras ocasiões o comandante da embarcação retirando água de um compartimento localizado na cozinha com uso de uma bomba. Outra testemunha, Agnaldo, confirmou a informação e acrescentou que o marinheiro alegava se tratar de um pequeno defeito, um pequeno reparo.
Jaqueline, sobrevivente que teve hemorragia e teve que ser submetida a uma cirurgia por conta do acidente, disse que no início havia uma mulher, Vanda, organizadora da festa, conferindo os ingressos, controlando a entrada de pessoas, mas que depois as pessoas iam entrando sem controle. Afirmou que não houve orientação do uso de coletes nem indicação do local onde estavam. Afirmou que pediram no aparelho de som para diminuir o número de pessoas no piso superior, que estava lotado, já que era o local onde o buffet estava localizado. Ela disse que ainda sente dores, ficou com uma cicatriz e afastada do serviço por 1 mês e meio devido ao acidente.
Agnaldo, organizador da festa juntamente com sua esposa Vanda, afirmou que o responsável pelo controle da entrada de pessoas era o marinheiro Airton. Disse que o barco foi alugado por R$ 1.600 e que foram vendidos 80 ingressos por R$ 60 cada. Quanto à quantidade de pessoas existentes na embarcação, disse que a lista de convidados tinha 79 nomes, além de 3 a 7 pessoas que trabalhavam no evento. O Ministério Público afirmou que foram contabilizadas 115 tripulantes e questionou o organizador do evento que afirmou não saber o motivo, negando ser o responsável. Questionado pelo MP, a testemunha confirmou que foram feitas algumas alterações na estrutura do barco, um puxadinho na parte superior e a parte inferior foi cercada com blindex nas laterais e na frente, o que segundo ele pode ter causado uma inclinação do barco.