Os comerciantes do Recanto das Emas estão assustados com a violência na cidade, ailment protagonizada, dosage em sua maioria, web por adolescentes. Em 13 dias, dois donos de estabelecimentos foram assassinados somente na Quadra 115. Um jovem de 17 anos é suspeito de ser o autor dos dois latrocínios. E a ousadia dos menores infratores vai além. Agora, a nova moda é usar as balanças de precisão das panificadoras e pequenos mercados para pesar porções de cocaína, maconha, crack e outros entorpecentes.
A reportagem do Jornal de Brasília conversou, na manhã de ontem, com seis empresários que têm negócios na região administrativa e trabalham com balanças. Todos confirmaram a prática dos traficantes e usuários de drogas. Como se não bastasse o abuso de usar os equipamentos para outros fins, os menores ainda ameaçam quem ousa denunciar o ato para a polícia.
Foi o que ocorreu com *João (nome fictício), dono de uma padaria. No domingo, três adolescentes chegaram com uma sacola com trouxinhas, colocaram em cima da balança e tiveram a calma de anotar quantas gramas a droga pesava. João diz que chamou a atenção dos jovens, mas eles o ignoraram e ameaçaram destruir o estabelecimento se o caso chegasse ao conhecimento da polícia. “Eles chegaram, pesaram a droga e saíram debochando de mim. Fui repreender e falaram que se eu não ficasse quieto iriam voltar e quebrar tudo. Sou pai de família. Não vou brincar com sujeitos que não têm nada a perder.”
Júlio* também tira o sustento da família com o dinheiro de sua panificadora, que fica perto da delegacia. Ele conta que em cinco anos foi assaltado oito vezes. O que mais o surpreende o é a rapidez com que os menores deixam os centros de internação. “Teve um que a polícia pegou após roubar minha padaria. No outro mês ele entrou aqui para pesar uma porção de droga, acho que era maconha. Ele estava tão drogado que nem lembrou que tinha me assaltado.”
O delegado-adjunto da 27ª DP (Recanto das Emas), Ricardo Pedrosa Martirena, disse desconhecer a informação e afirma que os comerciantes que não denunciam são coniventes com o ato infracional. “Hoje a polícia dispõe de maneiras de receber uma denúncia sem identificar a pessoa. Não adianta cobrar uma solução se a delegacia não tem nenhuma ocorrência policial desta natureza”, ponderou.
A última vítima da violência no Recanto das Emas foi o dono da Panificadora Karibe, no Conjunto 11 da Quadra 115. Gilberto Francisco Dourado, 51 anos, foi executado, na tarde desta quinta-feira, com dois tiros na cabeça, por um menor de 17 anos, que tem passagens pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Ele foi apreendido com um comparsa, de 17 anos, minutos depois, em casa. O que impressiona a polícia é a frieza do jovem, que, após cometer o latrocínio foi para casa jogar videogame. O adolescente era procurado pela polícia por ser suspeito matar outro comerciante na mesma quadra.
No último dia 13, Carlos Gomes, 52 anos, dono do Bar do Dezinho, também na Quadra 115, foi morto com dois tiros. Quatro homens entraram no bar, renderam Carlos e os clientes, roubaram seus pertences, carteiras de cigarro e se preparavam para irem embora. Porém, o adolescente de 17 anos resolveu voltar e atirar contra Carlos, que morreu a caminho do hospital. Nos dois casos, os comerciantes estavam deitados, rendidos com as mãos na cabeça. Mesmo indefesos, foram executados friamente.