O otorrinolaringologista Stênio Ponte alertou que as mudanças bruscas de temperatura e o uso intenso de ar-condicionado prejudicam os mecanismos naturais de proteção das vias respiratórias no Distrito Federal. “O nariz é responsável por filtrar, aquecer e umidificar o ar antes que ele chegue aos pulmões. Quando o ambiente está muito seco ou quando passamos rapidamente do calor para locais frios e climatizados, essa capacidade de defesa pode ficar prejudicada”, disse o especialista, do Grupo OtorrinoDF.
Brasília enfrentou em agosto condições climáticas extremas, com umidade relativa do ar chegando a 12% e 13%, e temperaturas entre 31°C e 34,3°C. A rápida oscilação climática, intercalada por episódios de chuva, exige atenção especial com a saúde respiratória, segundo especialistas.
O ressecamento da mucosa causa sintomas como ardência, coceira, espirros, coriza, obstrução nasal e irritação na garganta. Stênio Ponte ressaltou que, embora a mudança de temperatura não cause gripes ou resfriados por si só, a fragilização das mucosas compromete a barreira de proteção do organismo. “É comum que o paciente associe diretamente a mudança do tempo ao aparecimento de uma infecção. Na verdade, o que ocorre é uma combinação de fatores: mucosas mais fragilizadas, maior exposição a poeira, ácaros e fungos e permanência em locais fechados”, afirmou.
A permanência prolongada em ambientes climatizados intensifica o problema. O ar-condicionado reduz a umidade do ambiente e pode provocar ou intensificar congestão nasal, coriza, espirros, coceira, ardência, tosse seca e rouquidão. A exposição direta ao fluxo de ar aumenta ainda mais o ressecamento das mucosas. Filtros não higienizados adequadamente acumulam fungos, ácaros e poeira, agravando a situação.
Segundo a otorrinolaringologista Larissa Camargo, do Hospital Santa Lúcia Sul, índices de umidade em torno de 13% caracterizam um estado de alerta que exige cuidados especiais, principalmente nos períodos entre 10h e 16h. As medidas recomendadas incluem reforçar a hidratação, fazer lavagem nasal e usar lubrificantes oculares.
O pneumologista William Schwartz alertou que permanecer horas respirando ar seco pode ressecar tanto as vias aéreas superiores quanto as inferiores. Quando a mucosa fica ressecada, o muco sofre alterações que dificultam a remoção de partículas e microrganismos. Pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, bronquite crônica, rinite ou rinossinusite crônica possuem vias mais sensíveis e podem apresentar piora dos sintomas diante da combinação de frio e tempo seco.
Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas pulmonares ou cardíacas precisam de cuidados redobrados durante períodos de baixa umidade e temperaturas elevadas, segundo o Ministério da Saúde. Para quem possui doença respiratória crônica, a recomendação é manter o acompanhamento médico e o controle adequado da condição de base.
Além de aumentar o consumo de água, sucos naturais e água de coco, especialistas recomendam priorizar refeições leves com frutas, legumes e verduras, hidratar a pele e os lábios, e evitar banhos muito quentes. É importante manter os ambientes limpos para diminuir poeira e alérgenos, evitar cigarro e reduzir exposição à poluição. Os espaços devem permanecer ventilados mesmo com o tempo seco, e em dias de vento forte o uso de óculos de proteção pode ajudar a proteger os olhos.
A manutenção adequada do sistema de ar-condicionado também é essencial para a saúde respiratória. Um equipamento mal cuidado acumula poeira, partículas, alérgenos e materiais biológicos que podem ser espalhados pelo ambiente e atingir as vias aéreas.