Victor Emanuel passou por quatro cirurgias neste ano. Hoje, conta com o auxílio de um coração artificial de curta duração, enquanto aguarda uma doação de um novo órgão. Aos 13 anos, ele está junto com outras 538 pessoas que se agarram na esperança de receberem uma nova vida como presente. A capital do País já é líder nacional em quatro dos cinco tipos de transplantes realizados na rede pública: coração, rins, fígado e córnea. Mas, ainda que a média de doação de brasilienses seja maior que a nacional, pessoas como o garoto encontram no tempo o pior inimigo.
“Uma doação de órgãos significa a vida após a morte”, diz Sebastião Marques de Souza, 46 anos. Aposentado, saiu com a esposa e o filho de Unaí (MG) para tratar o problema do adolescente no Instituto de Cardiologia (ICDF). “Na verdade é uma segunda chance de vida para quem está precisando”, emenda Roseni Souza, de 38 anos.
Luta
Victor é uma criança que luta pela vida desde que nasceu, quando descobriu que tinha Síndrome de Marfan, uma doença congênita hereditária do tecido conjuntivo, caracterizada por anormalidades dos olhos, ossos e sistema cardiovascular em graus e aspectos variáveis.
Por afetar muitas partes do corpo, pode causar complicações e até risco de morte. A cardiologista Cristina Camargo Afiune acompanha o caso do paciente há sete anos e explica que ele apresenta alterações na coluna, nos dedos, nos olhos e no coração.
“O pai tinha a doença, mas só descobriu quando o filho nasceu. No Victor, é muito mais agressiva e, neste momento, só um novo coração pode salvá-lo”, diz.
Neste ano, em março, Victor operou um aneurisma na raiz da aorta. Em julho, o caso evoluiu para um sangramento na válvula ótica. Em agosto, colocou um marca-passo e, desde o dia cinco de outubro, está internado porque houve uma disfunção no coração. Ficou treze dias com uma máquina ao lado da maca para ajudar com a circulação sanguínea no corpo.