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Brasília

Tempo é inimigo de jovem que vive com coração artificial

Arquivo Geral

24/12/2014 8h00

Victor Emanuel passou por quatro cirurgias neste ano. Hoje, conta com o auxílio de um coração artificial de curta duração, enquanto aguarda uma doação de um novo órgão. Aos 13 anos, ele está junto com outras 538 pessoas que se agarram na esperança de receberem uma nova vida como presente. A capital do País já é líder nacional em quatro dos cinco tipos de transplantes realizados na rede pública: coração, rins, fígado e córnea. Mas, ainda que a média de doação de brasilienses seja maior que a nacional, pessoas como o garoto encontram no tempo o pior inimigo. 

“Uma doação de órgãos significa a vida após a morte”, diz Sebastião Marques de Souza, 46 anos. Aposentado, saiu com a esposa e o filho de Unaí (MG) para tratar o problema do adolescente no Instituto de Cardiologia (ICDF). “Na verdade é uma segunda chance de vida para quem está precisando”, emenda Roseni Souza, de 38 anos. 

Luta

Victor é uma criança que luta pela vida desde que nasceu, quando descobriu que tinha Síndrome de Marfan, uma doença congênita hereditária do tecido conjuntivo, caracterizada por anormalidades dos olhos, ossos e sistema cardiovascular em graus e aspectos variáveis.

 Por afetar muitas partes do corpo, pode causar complicações e até risco de morte. A cardiologista Cristina Camargo Afiune acompanha o caso do paciente há sete anos e explica que ele apresenta alterações na coluna, nos dedos, nos olhos e no coração.

“O pai tinha a doença, mas só descobriu quando o filho nasceu. No Victor, é muito mais agressiva e, neste momento, só um novo coração pode salvá-lo”, diz.

Neste ano, em março, Victor operou um aneurisma na raiz da aorta. Em julho, o caso evoluiu para um sangramento na válvula ótica. Em agosto, colocou um marca-passo e, desde o dia cinco de outubro, está internado porque houve uma disfunção no coração. Ficou treze dias com uma máquina ao lado da maca para ajudar com a circulação sanguínea no corpo. 

Corrida contra o relógio para salvar vida
 
No último dia 12, Victor recebeu um ventrículo artificial, que exercerá a função de coração. “A máquina tem o prazo de 15 dias e o coração artificial de, no máximo, 45 dias. Só o que pode resolver o caso dele é o transplante”, afirma a cardiologista Cristina Camargo Afiune.
 
Victor é o primeiro de uma lista de 21 pessoas que aguardam, hoje, por um transplante de coração. A maior fila, no entanto, é para rins, com 292 pacientes na fila de espera, seguida por córnea, com 182, e fígado, com 44.
 
Segundo o Ministério da Saúde, o DF tem índice de 14,8 doadores efetivos por milhão de habitantes, 3,4 a mais do que a média do país. Até o fim de setembro, 651 procedimentos foram realizados no DF: 450 transplantes de córnea, 91 de rim, 52 de fígado e 22 de coração. 
 
“Doação é igual à vida. A pessoa que precisa de um órgão é porque a doença já não responde às medicações e tem, na esperança da  doação, a única possibilidade”, diz Daniela Salomão, coordenadora da Central de Captação da Secretaria de Saúde do DF.
 
saibamais
 
Na maioria das vezes, o que determina o uso de partes do corpo para o transplante é o estado de saúde do doador. 
Em geral, os limites em idade variam para cada órgão: 75 para rim, 70 para fígado, 55 para coração e pulmão, 50 para pâncreas, 65 para válvulas cardíacas; e 65 para pele e ossos. Para córneas, não há limites de idade. 
 
A cada 153 cirurgias de transplante de coração feitas no Brasil, 15 ocorrem em unidades hospitalares do Distrito Federal, que é considerado líder nacional desse tipo de operação. Em 12 anos, o número de transplantes aumentou de nove para 29. 
 
Os hospitais aptos a realizar transplantes são o Hospital de Base (HBDF), Hospital Universitário de Brasília (HUB) e o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF).

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