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Brasília

TCU julgará licitação para contratação de terceirizados no próprio órgão

Aprovados do cadastro de reserva entraram com pedido para suspender certame, uma vez que as vagas seriam para cargos de carreira e tribunal havia dito não ter recursos para a nomeação

Suzano Almeida

11/05/2026 13h19

tcu

O Tribunal de Contas da União (TCU) julgará, nesta quarta-feira (13), a legalidade de uma licitação de mais de R$ 60 milhões realizada pelo próprio órgão para a contratação de funcionários terceirizados que, segundo a denúncia, farão as funções de servidores de carreira aprovados no último certame.

O documento, assinado pelo advogado da comissão de aprovados Thadeu Gimenez de Alencastro, aponta graves irregularidades no Pregão Eletrônico nº 90016/2026 e pede a suspensão imediata do certame, que prevê gastos anuais de mais de R$ 60,2 milhões.

A acusação central é de que o Tribunal estaria promovendo uma “burla ao concurso público” ao terceirizar funções que são, por lei, atribuições de cargos efetivos da própria Corte.

Estudo técnico

O ponto mais crítico da denúncia destaca um trecho do Estudo Técnico Preliminar (ETP) do próprio TCU. No documento, o órgão admite textualmente que a contratação se justifica pelo “déficit crescente de mão de obra no quadro efetivo de Técnicos Federais de Controle Externo (TEFCs)” devido a aposentadorias e vacâncias.

Para o denunciante, essa é uma “confissão” de que os terceirizados irão ocupar o espaço de servidores de carreira. O agravante é que existe um concurso público vigente para o cargo de Técnico (TEFC), com aprovados aguardando convocação até dezembro de 2026.

“Caso o TCU não reveja sua posição, como órgão máximo de controle, qual será a mensagem que passará para os demais órgãos?”, questiona Thadeu Alencastro. “O próprio TCU recomenda aos órgãos que não contrate, porque é uma ofensa ao concurso público. Por isso, causa indignação”, completa o advogado.

Justificativa orçamentária

A denúncia traz ainda uma contradição financeira. Em setembro de 2025, o TCU negou o pedido de ampliação do cadastro de reserva do concurso alegando “restrições orçamentárias e financeiras”.

No entanto, poucos meses depois, o mesmo Tribunal abriu uma licitação de R$ 60 milhões para contratar 365 terceirizados para funções equivalentes. “O motivo mostrou-se falso”, afirma o advogado na peça, citando a Teoria dos Motivos Determinantes, que anula atos administrativos baseados em justificativas inverídicas.

Sobreposição de funções

O documento apresenta um quadro comparativo detalhado entre a Lei nº 10.356/2001 (que organiza a carreira do TCU) e os postos licitados:

  • Técnico de Suporte Administrativo (260 postos): Identificado como substituto direto do Técnico Federal de Controle Externo.
  • Analista Técnico em Contratações Públicas (50 postos): Exige conhecimentos em Siafi, MCASP e Manual de Licitações do TCU, tarefas de alta complexidade reservadas a Auditores e Técnicos.
  • Psicólogo Organizacional (8 postos): Função que, historicamente, já integrou o quadro de apoio técnico-administrativo do Tribunal.

Dano ao erário

As propostas seriam abertas no último dia 27 de abril, às 10h. Segundo o advogado, o órgão até deu início à análise dos documentos enviados pelas empresas, mas ainda não houve a autorização para a assinatura do contrato, em decorrência do pedido de suspensão.

A análise do processo, inclusive, fez com que o relator da matéria no TCU, desembargador Walton Alencar, levasse o pedido de revisão do certame ao plenário da Casa imediatamente.

O argumento aceito em um primeiro momento é a de que a assinatura do contrato geraria um prejuízo de difícil reparação aos cofres públicos e à imagem institucional do TCU, que passaria de “guardião da moralidade” a descumpridor das regras de concurso público.

O advogado reforça que não há risco de interrupção de serviços caso a licitação seja suspensa, uma vez que o TCU possui outros contratos vigentes e uma ata de registro de preços ativa para suporte administrativo.

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