O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) apura o uso de instalações e recursos do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) durante uma atividade do grupo Legendários, realizada em setembro no Centro de Treinamento Operacional (CTO) da corporação. A Corte pediu esclarecimentos sobre a utilização de militares, materiais, equipamentos e viatura operacional no evento.
A apuração teve início após uma denúncia apresentada por um cidadão à Ouvidoria do TCDF. O evento ocorreu entre os dias 25 e 27 de setembro e, segundo as informações encaminhadas ao Tribunal, previa a participação de 180 civis, 100 alunos e 80 integrantes dos Legendários, além de 18 militares do Corpo de Bombeiros, uma Unidade de Resgate e equipamentos operacionais.
Ainda conforme a denúncia, os bombeiros mobilizados para a atividade receberiam Gratificação de Serviço Voluntário (GSV). O custo estimado somente com o pagamento das gratificações seria de, pelo menos, R$ 13,6 mil. As possíveis irregularidades, no entanto, ainda não foram julgadas pelo Tribunal de Contas.
A atividade, denominada FIRE, Força Imediata de Resgate Espiritual, teria sido solicitada em julho por Hamilton dos Santos Júnior, diretor de uma brigada de resgate ligada ao grupo. De acordo com as informações da apuração, o pedido de apoio tramitou em dois processos: um deles foi negado pelo Gabinete do Subcomandante-Geral, enquanto outro recebeu autorização do Gabinete do Comandante-Geral do CBMDF.
O caso também é acompanhado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Outra edição da atividade estava prevista para ocorrer entre 26 e 28 de novembro no Centro de Treinamento.
Em nota, o Corpo de Bombeiros afirmou que a capacitação de pessoas de fora da corporação em ações de prevenção, preparação e resposta a emergências e desastres faz parte das atribuições institucionais. Segundo o CBMDF, o Centro de Treinamento recebe regularmente atividades desse tipo.
A corporação informou ainda que já encaminhou ao TCDF as informações solicitadas e decidiu suspender treinamentos futuros relacionados ao caso até que o Tribunal se manifeste. Segundo o CBMDF, a atividade realizada em setembro estava alinhada às atribuições da instituição na área de proteção e defesa civil.