Por Vítor Ventura
Quem passa pelo Lago Paranoá, percebe que em certos locais uma espécie de “tapete verde” se forma em cima da água. Na região do Deck Sul, por exemplo, as plantas aquáticas cobrem quase que completamente a superfície do lago. De acordo com a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), essas plantas fazem parte de um fenômeno natural que varia ao longo do ano. A própria Caesb faz a retirada das plantas. Desde o início de 2026, já foram removidos aproximadamente 2,5 mil metros cúbicos dessas plantas no Lago Paranoá.
Segundo a Caesb, assim como ocorre com outras espécies vegetais, há períodos em que essas plantas crescem com mais velocidade e em maior volume, influenciadas por fatores como luminosidade, temperatura, profundidade e condições naturais do ambiente. Segundo a companhia, as plantas não oferecem risco à qualidade da água, à fauna ou aos usuários do Lago Paranoá. Ainda assim, é feita a retirada desses organismos.
No Lago Paranoá, esse manejo é feito com o barco Papaguapé, utilizado pela Companhia especialmente na região do Deck Sul e em outros pontos de acúmulo. “Por isso, em determinadas épocas, a Caesb intensifica o trabalho de retirada das plantas, da mesma forma que a manutenção de áreas verdes, por exemplo, exige mais cortes de grama nos períodos de maior crescimento”, pontuou a Caesb em nota.

Segundo Fabrício Escarlate, professor de ciências biológicas do Ceub, essas são plantas exóticas que são consideradas invasoras e têm uma rápida proliferação. “Aqui no Brasil elas crescem de forma descontrolada. Muitas vezes o que vai controlar o crescimento dessas plantas são as condições do ambiente. O que pode indicar isso? A gente tem que testar primeiro, avaliar a qualidade da água, se houve aumento de matéria orgânica, se pode ter sido alguma coisa relacionada à temperatura, são muitos fatores a serem considerados”, comentou o professor.
Embora confundidas com cianobactérias ou algas, essas plantas são da espécie macrófitas, que vivem em ambientes aquáticos. No Lago Paranoá, a Caesb já identificou a predominância de três espécies: o aguapé, o pistia (também conhecido como alface d’água) e a salvinia (ou orelha de rato).
“Muitas vezes quando existe uma quantidade muito grande de nitrogênio dissolvido na água, por exemplo, isso pode desencadear um crescimento rápido dessas plantas. Então pode haver alguma questão relacionada a excesso de matéria orgânica, pode haver alguma coisa associada a um aporte de nitratos, nitritos. Alguma coisa pode ter acontecido ali que levou a essa disponibilização de uma grande quantidade de nutrientes”, explicou Fábio. “Pode ser também que tenha um fator associado à temperatura. A gente teve registro, nos últimos dias, de chuvas pontuais em alguns locais do Distrito Federal, o que não é comum para essa época do ano. Portanto existe uma possibilidade de que isso tenha interferido e possa, de alguma maneira, ter causado alguma alteração nas condições do ambiente. Seria uma hipótese a ser testada”, completou o professor.
A Caesb reforçou que a situação não tem relação com algas nem com o processo de tratamento de água realizado pela Companhia. “O Lago Paranoá segue monitorado, seguro e apto aos seus múltiplos usos, incluindo abastecimento, lazer e esporte”, completou.