Enquanto a maioria das garotas de programa volta para casa após uma noite intensa de balho, salve outras estão apenas começando sua jornada. A oferta é enorme, price a negociação é rápida e todo o
processo ocorre em plena luz do dia. O movimento intenso de trabalhadores e caminhões de carga no Setor de Indústrias de Taguatinga não inibe o comércio do sexo que ocorre diariamente nas quadras CSG, capsule próximo à rodovia BR-060, que liga o Distrito Federal a Goiânia.
Em vários pontos conhecidos de prostituição no DF, garotas de programa dividem espaço com
moradores locais, incomodando muitos deles, principalmente pela exposição que fazem do corpo. Mas as profissionais do sexo que ficam nas quadras do setor industrial de Taguatinga não enfrentam qualquer tipo de resistência para permanecer na região.
Durante boa parte de um dia desta semana, a reportagem do Jornal de Brasília registrou várias negociações entre clientes e garotas de programa quando o sol estava a pino. Em meio aos muros altos de grandes empresas transportadoras ou de materiais de construção, grupos de prostitutas se dividem pelas quadras, sempre tentando se manter próximas a cruzamentos, onde a passagem de veículos particulares é maior.
Entre 15h e 16h, as quadras CSG fervem. Os mesmos motoristas passam várias vezes pelos pontos e param às margens da rua para negociar. O que começa no setor de indústrias também acaba lá. Quando a transação tem um desfecho, o programa é feito no mesmo local. Pousadas de alta rotatividade e uma grande quantidade de motéis facilitam a vida de prostitutas e clientes
que procuram por sexo rápido no meio da tarde. “Muitos deles aproveitam a hora de almoço para sair com a gente”, contou uma loira, que fazia ponto na CSG 04.
De fato, a reportagem comprovou a velocidade em que o programa é negociado e posto em prática. Em poucos minutos, um carro parou em um dos cruzamentos e o motorista fechou negócio com uma das mulheres. Ela entrou no carro e, 20 metros depois, o casal entrou em um
motel que fica na esquina da rua.
Horários preferidos
Apesar do horário pouco usual, as garotas confirmam que faturam alto com os homens que preferem fazer programa no início da manhã. “Muitos dos nossos clientes são diretores de empresas e não têm problema em chegar tarde no trabalho”, conta Patrícia (nome fictício), 24
anos, que faz programas no local há cerca de dois anos. Segundo ela, muitos homens também procuram as prostitutas neste horário para não levantar suspeitas em casa. “As esposas nunca imaginam que eles nos procuram para fazer programa às 9h30”, afirma.
O mesmo processo é quase mecânico e se repete ao longo de todos os dias e tardes. Em outro flagrante, três rapazes, que estavam em um Fiat Palio, acertaram um programa. Desta vez, o veículo entrou em uma pousada muito usada pelas garotas de programa. O motivo pelo qual o
estabelecimento é procurado é o preço: R$ 30 a hora. “Mas eles cobram só R$ 10 por uma `rapidinha`”, brincou outra garota de programa, com sotaque goiano.
Na região existe uma espécie de “cartelização” imposta pelas prostitutas. O preço cobrado por elas por uma hora de prazer é o mesmo: R$ 50. E o valor não está sujeito a negociações e barganhas. As mulheres, inclusive, estão completamente ambientadas à rotina do setor de indústrias. Várias delas costumam lanchar na parte da tarde, quando alguns comerciantes que
possuem carrocinhas de sucos e salgados passam pelo local.
De acordo com um funcionário de uma das empresas sediadas na região, muitos trabalhadores aproveitam o dia de pagamento para fazer programas lá mesmo. “Boa parte da clientela é de homens que trabalham por aqui. As garotas são sempre as mesmas e todos já se conhecem. Isso facilita a negociação”, contou, sem querer se identificar.
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| De acordo com o Código Penal Brasileiro, a prostituição não é crime. Toda pessoa é dona de seu corpo e pode usá-lo como quiser. Mas tirar proveito da prostituição, seja de que forma for, configura crime manter casas de prostituição, viver às custas de prostitutas ou mesmo induzir alguém a esse tipo de trabalho, por exemplo, são considerados crimes. As penas podem ir de um a oito anos de reclusão. A exploração sexual é chamada de rufianismo Criminalmente, para provar que um estabelecimento é uma casa que explora a prostituição, existe a necessidade das autoridades verificarem e provarem a habitualidade, ou seja, demonstrar a frequência do delito com o fluxo de clientes entrando e saindo acompanhados ou praticando sexo dentro do estabelecimento. Essa é uma das principais dificuldades encontradas pelos policiais que investigam esse tipo de caso |
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