Já dizia o dito popular que comprar carro é adquirir uma nova família. Para quem está disposto a assumir a responsabilidade, vale a pena pesquisar e comparar preços para não sair no prejuízo. Negociar direto com o dono pode ser uma ótima oportunidade para pechinchar. Neste sentido, tanto para quem vende como para quem compra, o tradicional feirão de veículos de Taguatinga, que acontece há pelo menos 20 anos ao lado do shopping no começo do Pistão Sul, é uma ótima opção e leva todos os domingos pelo menos quatro mil veículos de todas as cores, marcas, anos e valores.
As ruas ficam quase intransitáveis e a demanda, na opinião de quem frequenta há anos o local, é maior que a oferta. “Venho todo domingo há pelo menos cinco anos. Aqui é mais fácil de negociar e tanto comprador como vendedor saem satisfeitos. Tem muito carro bom por aí, a demanda é enorme. Quase todo domingo vendemos pelo menos um veículo”, afirmou o vendedor Gabriel de Melo, 18 anos.
A maior parte dos negócios são fechados mediante um sinal dado pelos compradores. Como não há uma garantia e muito menos nenhum papel assinado até a transferência do veículo, interessados e vendedores sempre marcam um novo encontro, exceto nos casos em que a aquisição é feita à vista.
“O comprador deixa um sinal com a gente, com o valor do carro, que pode ser em cheque, fechamos o acordo e na segunda-feira nós combinamos de nos encontrar e fazer a transferência do veículo, bem como receber o restante do valor e entregá-lo definitivamente”, explicou o vendedor Nelson de Souza, 39.
CUIDADOS NA HORA DE COMPRAR UM CARRO USADO
1 Em dia de chuva, os defeitos de funilaria e pintura não aparecem. Procure analisar o futuro carro sob luz solar para encontrar imperfeições;
2 Para ver se o veículo tem ondulações na chapa e desalinhamento das portas, olhe o automóvel de frente encostando o rosto no para-lamas e analise a lateral. Depois, passe o dedo no vão das portas, a diferença tem de ser a mesma em toda a extensão.
3 Marcas diferentes nos faróis e lanternas indicam que a peça original foi quebrada e que o carro foi batido. Observe, ainda, marcas de tinta que destõem da original do carro.
4 A adulteração de hodômetros é cada vez mais comum. Cheque o pedal do freio e se estiver nitidamente desgastado, o veículo provavelmente tenha mais de 70 mil km rodados.
5 Desconfie da aparência impecável do motor. Vazamentos podem existir e é importante sempre olhar próximo às juntas do cabeçote e o nível e aspecto do óleo. O filtro de ar deve estar limpo e com pouco uso.
Preços atraem, mas é preciso mais atenção
O comerciante Luiz Curvelo, 57 anos, foi ao feirão à procura de um modelo Peugeot, entre os anos de 2007 e 2011. “Ainda não encontrei do jeito que queria, mas vou continuar procurando porque tem muito carro por aí”, alegou. Mas, se caso achar o veículo e o preço estiver bom, Curvelo disse que vai tomar muito cuidado na hora de fechar o negócio. “A gente, que entende um pouco do assunto e sabe ver as condições do carro, já fica meio com o pé atrás”, observa.
Ele diz ainda que o que atrai mesmo é o preço, e possíveis descontos. “Mas, se for pra fechar o negócio, dou um sinal com cheque pré-datado e marco um novo encontro na segunda-feira. Se o dono não aparecer, susto o cheque”, explicou.
A compra e venda de veículos é feita na rua, e não há nenhum tipo de fiscalização. Quem sai com o carro dali tem que se preocupar com seguro do automóvel e consultar até mesmo se não há multas a pagar. Um negócio que, para quem nunca comprou fora de uma concessionária, pode parecer arriscado. Mesmo assim, o público ainda comparece em peso.
Venda
Márcio Ribeiro, 40, é de Brazlândia e esteve no feirão ontem, na tentativa de vender um Siena. “Muita gente para pra perguntar, entra no carro, mas a demanda é grande e não é tão fácil vender.”