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Brasil

Suspeito preso temporariamente foi visto no local do assassinato do jornalista

Arquivo Geral

28/07/2016 12h21

Reprodução/Facebook

João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília, com informações da Agência Estado

Reprodução/Facebook

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A Polícia Civil de Santo Antônio do Descoberto vai ouvir durante esta quinta-feira (28) mais testemunhas que podem ajudar a elucidar o caso do jornalista João Miranda do Carmo, 54. Ele foi executado dentro de casa no último domingo (24). à tarde, o delegado de Santo Antônio do Descoberto, Pablo Batista, vai apresentar mais novidades a imprensa.

De acordo com o delegado regional de Águas Lindas, Fernando Gama, que auxilia nas investigações, Douglas de Morais, de 40 anos, servidor preso temporariamente ontem à tarde, foi visto por uma testemunha no local do crime. Ele estaria dirigindo o carro Fiat Pálio vermelho utilizado pelos assassinos do jornalista. Até o momento, o carro, que possivelmente estaria sem placa, não foi encontrado.

Douglas era o chefe da segurança da prefeitura de Santo Antônio do Descoberto. Devido à prisão temporária, ele fica preso por até 30 dias – prazo que pode ser prorrogado por mais 30. O delegado Fernando diz que a prisão do suspeito foi vista como imprescindível para a boa continuidade das investigações e que a procura, agora, é para encontrar o autor dos disparos que levaram a morte do comunicador. O carro teria ficado parado por algum tempo em frente a casa de João Miranda. Assim que ele tentou sair de casa, foi executado. Não deu tempo de ele correr.

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“A perícia da casa e do corpo foi solicitada para ser minuciosa. Aguardamos o laudo. Espero que saia rápido já que o caso é de grande repercussão”, afirma o delegado que não sabe precisar quando o laudo sai, mas garante que já cobrou das autoridades a agilidade.

Fernando Gama frisa que o suspeito Douglas, a todo momento, nega envolvimento no caso, mesmo depois de a polícia apresentar todos as provas que o coloca como suspeito.

Reações

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) cobrou “agilidade” nas investigações. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) pediu que os criminosos sejam levados à Justiça. “A impunidade de crimes contra jornalistas restringe a capacidade dos profissionais de mídia de realizarem seu trabalho e promoverem o acesso do público a fontes de informação diversas e independentes”, afirmou em nota Irina Bokova, diretora-geral da Unesco.

“É uma questão de honra saber quem cometeu essa maldade contra o João e a liberdade de imprensa”, disse Fernando Oliveira, dono do Folha da Copaíba, site de notícias que publicava textos de Miranda. “Perdi o artilheiro do time.”

Miranda mantinha o site SAD Sem Censura e atuava em um canal de animações com críticas a políticos no YouTube. “Isso incomodava muito”, disse o jornalista Jonas Batista Teodoro, um dos colegas de trabalho.

O jornalista, filiado ao PCdoB, pretendia concorrer a um cargo de vereador nas eleições de outubro. Segundo seus amigos, Miranda estava apreensivo após ter publicado histórias sobre tráfico de drogas e denúncias contra o prefeito Itamar Lemes Prado (PDT). “Eu mesmo aconselhava o João a não ser tão corajoso, a não afrontar pessoas tão perigosas”, afirmou o vereador Geraldo Lacerda (PSD), de oposição ao prefeito.

“Uso político”

Por meio de sua defesa, o prefeito alegou que os opositores fazem uso “político” e “irresponsável” do crime. A advogada Eliane Laurindo Amaral disse que, desde o início do mandato, em 2010, Itamar recebe críticas de jornalistas, como Miranda, e sempre reagiu às reportagens “agressivas” no âmbito da Justiça.

“O senhor João Miranda fazia parte da oposição. Toda vez que ele publicava na Folha da Copaíba um texto mais ofensivo, o prefeito ajuizava uma ação”, afirmou Eliane. “O prefeito repudia todas as campanhas de pessoas que estão aproveitando um crime para fazer política”, completou.

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