Johnny Braga
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Com um histórico repleto de passagens por grandes e luxuosos hotéis – nacionais e internacionais – e inúmeras viagens por todo o mundo, D.A.L.S., 21 anos, gostava mesmo era de vida fácil e requinte. Mas a vida de luxos acabou. Ele foi preso em flagrante, no Hotel Meliá Brasil 21, suspeito de aplicar golpes com cartões de crédito corporativo virtual, de bandeira internacional. Em apenas dez dias, o rapaz gastou mais de R$ 12 mil em serviços e hospedagem.
A polícia, porém, descobriu que os cartões corporativos eram clonados de empresas do Brasil e dos Estados Unidos. O suposto golpe, bastante requintado, era praticado exclusivamente pela internet. O suspeito, que é formado no país norte-americano em Tecnologia da Informação, teria utilizado os conhecimentos adquiridos para roubar dados de várias empresas. Segundo a polícia, foram, pelo menos, 450 empresas lesadas com o golpe do estelionatário.
O jovem, que tinha três passagens pela polícia, atuaria com sete amigos. Eles teriam criado uma empresa fictícia, com uma suposta sede nos EUA. O golpe funcionou durante algum tempo, mas ao chegar a Brasília e ter gastos excessivos, o rapaz logo levantou suspeita da direção do hotel. A polícia foi acionada pela gerência, após D. pedir a transferência de quarto, passando de uma suíte cinco estrelas para uma presidencial, com diária de R$ 8 mil.
A polícia investiga a participação de comparsas na passagem pela capital federal. Segundo o Delegado da 5ª Delegacia de Polícia Civil – que atende a Zona Central e Setor Hoteleiro –, Aílton Rodrigues, o crime não é comum no DF e os cartões não eram físicos. “O golpe era simples: eles rastreavam os dados do dono verdadeiro do cartão e roubavam os números de identificação e códigos de segurança. Os dados eram armazenados e os golpes, praticados”, explica.
Divertimento
D. morava em Goiânia e mudou-se para os Estados Unidos para cursar faculdade. Durante este período, alegou não ter dinheiro para divertimento ou para gastar da maneira que gosta. A partir daí, ele se uniu a sete amigos, em situação semelhante, e o grupo começou a aplicar os golpes.
“O objetivo dele era um só: curtir a vida. Ele enviava uma solicitação pela internet e fazia as reservas, utilizando o número do cartão. Até um telefone, que seria da empresa, ele utilizava. Se fosse feita uma consulta por parte do hotel, por exemplo, essa ligação ia direto para o computador dele. Inclusive, o próprio D. atendia a ligação”, explica o delegado Aílton.