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Brasília

Suspeito de matar jovem no Conic disse que queria apenas assustar a vítima

Arquivo Geral

05/07/2017 14h13

Kleber Lima

Lucas Albo de Oliveira, acusado de ter assassinado o DJ Yago Linhares Sik, 23 anos, no último domingo, na saída de uma festa no Conic, se entregou à polícia por volta das 14h desta quarta-feira (5). O jovem, de 22 anos, tem vasta ficha criminal e agora acumula um homicídio, que completa três dias hoje. Desde que a Justiça expediu o mandado de prisão preventiva do acusado, equipes da 5ª Delegacia de Polícia (Área Central) estavam à procura do rapaz. Em depoimento, Lucas disse que não tinha a intenção de matar a vítima.

“Ele se mostrou extremamente instável durante a prisão. Chorou bastante e narrou, de forma extraoficial, que não tinha a intenção de matar a vítima, e que usou a arma apenas para assustá-lo”, revelou o delegado da 5ª Delegacia de Polícia, Rogério Rezende. Ainda segundo o delegado, a prisão foi efetuada na casa de Lucas, no Lago Sul, após uma negociação entre a corporação e o advogado do suspeito, que teve início nessa terça-feira (5). “Ele não queria ser exposto para a imprensa. De manhã, ele acabou fugindo da residência, mas voltou pouco depois para cumprir o que havia acordado”, pontuou Rezende.

A arma usada para cometer o assassinato ainda não foi apresentada. No entanto, o delegado acredita que ela será entregue para a corporação ainda nos próximos dias. Para a Polícia Civil, a principal motivação para o crime foi ciúmes. “Sem dúvida alguma trabalhamos com a hipótese de crime premeditado, uma vez que houve confusão na boate. O Lucas foi retirado do local, voltou para a casa dele e, poucas horas depois, regressou para a boate e ficou esperando a vítima”, afirmou o delegado.

Lucas foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, ameaça e injúria. Ele será encaminhado para a Delegacia de Polícia Especializada (DPE) e, posteriormente, para a Papuda. Se condenado, ele deverá pegar de 15 a 30 anos de reclusão.

Passagens

O jovem coleciona passagens pela polícia no passado. “Quando era adolescente, com 16 ou 17 anos, foi registrada uma ocorrência de violência doméstica contra ele. Quando menor, foi apreendido por ato análogo ao estupro e cárcere privado após denúncia de uma ex-namorada. Depois de adulto, foi preso várias vezes por porte de arma, ameaça, lesão corporal e uso de drogas”, detalha o delegado.

Manifestação

Muito emocionados, amigos e familiares de Yago estão na 5ª Delegacia de Polícia, onde acompanham o depoimento do suspeito. Com cartazes, eles homenageiam a vítima e clamam por justiça. Sob os gritos de “assassino” e “covarde”, Lucas Albo passou pelos corredores da delegacia com o rosto escondido por um casaco. No local, o clima é de muita comoção.

Muito abaladas, a tia de Yago, Karine Camargo, e a madrasta, Cristina Rodrigues Martins Sik, disseram afirmaram que querem justiça. “A sensação de Justiça acalenta um pouco o coração da gente. O Yago era uma pessoa muito querida, generosa, carinhosa, respeitadora e cheio de amigos. Um jovem de 23 anos. O que a gente quer é só isso: que a Justiça seja feita e que ele (Lucas) não consiga fazer isso com mais ninguém, porque ele acabou com a nossa família.”

Histórico agressivo

O Jornal de Brasília conversou com a namorada do suspeito de efetuar o tiroteio. Segundo ela, o namoro durou dois meses. Tudo corria bem nos primeiros trinta dias de relacionamento. No entanto, com o passar do tempo, o rapaz se mostrou agressivo.

“Foi o primeiro surto dele, sempre por ciúmes. Me agrediu fisicamente e moralmente. Fiquei com as pernas roxas e o pescoço também. Passei três dias mancando e com a boca inchada, sem conseguir comer. Na hora, estava alcoolizado e drogado”, lembra. Ainda assim, ela não registrou ocorrência contra o rapaz, que tem 22 anos. “Perdoei. Ele pediu desculpa, disse que ia mudar e que nunca mais isso ia acontecer. Acabei deixando passar”.

No sábado passado, entretanto, o suspeito agiu de novo. Apesar de estarem terminados, os dois resolveram ir juntos a uma festa no Conic, mas, na madrugada do domingo, o jovem matou o amigo de sua companheira na saída do evento, depois de uma briga motivada, mais uma vez, por ciúmes. Depois do episódio, a mulher foi embora de novo e, assim que chegou em casa, recebeu mensagens do suspeito a intimidando.

“Estávamos tentando uma reaproximação, por isso fomos juntos. Lá dentro, ele criou caso com outros amigos, sem ser o Yago, logo no início da festa. Brigamos e fomos embora por volta das 2h. Coloquei ele dentro do carro, o levei para casa e aproveitei para pegar minhas coisas que estavam lá”, contou.

Ferido, Yago foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu. O corpo dele foi levado para São Luís, no Maranhão, onde mora a família.

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