Luís Augusto Gomes
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“No início, parecia um cordeiro, mas depois, um porco espinho ou um lobo mal”. Foi com essa frase que uma japonesa de 70 anos descreveu em seu diário o ex-caseiro J.E.L., de 38 anos, preso em um bar no Setor de Diversões Sul. Ele é acusado de ter estuprado a ex-patroa, e segundo a polícia, se preparava para fugir de Brasília.
J. era procurado por investigadores da 11ª DP (Núcleo Bandeirante) desde a noite de sábado. Além de violentar a idosa, madrasta de um ex-diretor geral da Polícia Civil, o suspeito teria matado o cachorro, roubado R$ 100 e o celular da vítima. Ele admite que esteve no imóvel da aposentada, tomou café com ela, mas nega o estupro e diz que vai provar sua inocência.
Para o delegado João Carlos Lóssio, as provas estão materializadas no diário da idosa, onde ela afirma sofrer ameaças. “Ele veio na casa, entrou sem bater, me ameaçou. Eu tenho que dar R$ 800. Ele trabalhou seis meses e levou ferramentas. Depois faltou 20 dias sem falar nada. Paguei, mas ele diz que estou devendo. Tenho medo”, relata.
No sábado, J. foi à casa da idosa, que mora sozinha, e a violentou. Um filho da vítima telefonou para a mãe e percebeu que algo estava errado. Ele chamou a PM , mas quando os militares chegaram, o homem já tinha fugido. “Foi um crime anunciado desde março e que abalou a sociedade. A polícia tinha o dever de prendê-lo, logo”, diz Lóssio.
A vítima é sobrevivente da bomba de Hiroshima, no Japão, em 1945.