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Superando a violência por meio da leitura e convivência

O projeto Mulheres que leem, tem o objetivo de ampliar as narrativas socioculturais das participantes e estimular o hábito de leitura

Por Lindauro Gomes 28/06/2019 7h23

Larissa Galli
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Uma parceria entre a Promotoria de Planaltina e o Núcleo de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica (Nafavd) vai realizar, na tarde de hoje, o encontro Ciranda da Leitura, que faz parte do projeto Mulheres que leem, com o objetivo de ampliar as narrativas socioculturais das participantes, estimular o hábito de leitura, explorar a imaginação e propor a troca de conhecimentos.

“O ato de ler o mundo implica uma leitura dentro e fora de mim”.

É com essa frase de Paulo Freire que o projeto Mulheres que leem ganha força na cidade de Planaltina. Criado pela pedagoga e especialista em assistência social Ádila Fabiana, a iniciativa é inspirada nos Círculos Culturais de Paulo Freire e e apresenta uma proposta pedagógica que considera os problemas vivenciados no contexto de uma sociedade fortemente marcada pelo machismo e altos índices de violências contra as mulheres.

Ádila é a responsável pelo Núcleo de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica (Nafavd) de Planaltina. Segundo ela, a ideia de criar esse projeto surgiu a partir do interesse que as mulheres tinham nos livros de seu escritório. “Solicitei a compra e doações de livros para formar um pequeno acervo para essas mulheres, com o cuidado de selecionar histórias que considerassem a condição de ser mulher em uma sociedade machista, sem reforço do estereótipo de gênero”, conta.

Para ela, o projeto é importante para quebrar o ciclo da violência que as mulheres nessa situação vivem. “É muito comum que a permanência no ciclo da violência faça a mulher assumir e reproduzir o discurso do opressor. As Cirandas de Leitura promovem uma ampliação da consciência de lugar que essas mulheres ocupam no mundo a partir do contato com outras histórias. Assim, elas são capazes de se fortalecer e sair da situação de violência”, explica Ádila.

Resultados

Ela conta que percebeu vários resultados positivos nesses quatro meses de projeto. Entre os efeitos estão a criação de um hábito de leitura e a reconstrução de vínculos com familiares. “Verifiquei que as mulheres estavam lendo três livros por mês, aproximadamente. Isso é revolucionário num país em que se lê pouco”, aponta. “Vi também mulheres não alfabetizadas alugando livros para que suas filhas lessem para elas. Isso gera uma reconstrução de vínculo por meio da leitura”, declarou.

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Além disso, Ádila também apontou a ampliação do conhecimento social, o fortalecimento pessoal, a preocupação com a escrita e o aumento do vocabulário como consequências positivas do projeto.

“Essas mulheres passaram a se enxergar nas histórias e perceber que não estão sozinhas. Conseguiram reelaborar seu lugar no mundo e voltar o olhar para a realidade de forma crítica”, conclui.

Esta é a quinta edição da segunda etapa do projeto, que iniciou em maio. Entre fevereiro e abril, aconteceu a primeira etapa, com seis edições. Segundo Ádila, a intenção é continuar promovendo esses encontros.

“Queremos continuar com o projeto e também ampliá-lo, mas isso depende de investimento para aumentar nosso acervo de livros”, afirmou.

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SERVIÇO:
Amanhã, na sala de múltiplo uso da Promotoria de Planaltina (Setor Administrativo), às 16h. Entrada franca. Informações: 3388-1984. Classificação livre






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