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Brasília

SOF Sul: derrubada acaba em confusão e violência

Arquivo Geral

25/07/2017 6h30

Foto: Myke Sena

Daniel Cardozo
Especial para o Jornal de Brasília

A desocupação de uma área no Setor de Oficinas (SOF) Sul rendeu confusão e correria. A Agefis foi ao local com a intenção de retirar três comércios e uma igreja próximos à área ocupada por chacareiros, mas houve resistência. Até mesmo o Batalhão de Choque precisou ser chamado para garantir a derrubada das construções. Foi a segunda etapa de uma ação no Parque Ezechias Heringer, iniciada em 3 de julho.

Perto das 11h, Agefis, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros estavam prontos para atuar no SOF Sul. Caminhões eram utilizados para retirar objetos das oficinas em local irregular. A ação ocorria sob protestos, mas sem resistência. Porém, os ânimos se acirraram quando o alvo foi uma igreja evangélica. O que estava dentro do templo montado com placas de metal foi retirado, enquanto membros da comunidade gritavam contra os agentes.

Quando a pá mecânica que faria a derrubada se aproximou, os fiéis se sentaram na rua, em frente ao equipamento. Os policiais não hesitaram em dispersar os manifestantes com spray de pimenta. Um homem, que já havia sido detido por desacato à autoridade no mesmo dia, foi levado novamente à delegacia pela PM.

Outro homem já detido pelos manifestantes recebeu pelo menos dois golpes de cassetete na cabeça. Em outro momento, um policial disparou spray de pimenta diretamente no rosto de uma mulher caída. Depois disso, o Batalhão de Choque foi acionado. Foram sete detidos por desobediência, resistência e desacato.

A presidente da Associação dos Moradores do Condomínio Bananal–SOF Sul, Eliene Dias, afirma que ainda não existe acordo e, por isso, a ação da Agefis é contestada. “Estamos tentando chegar a um acordo, mas não vai ser com violência que vamos resolver isso. Eles estão quebrando a promessa”, criticou. Além de líder comunitária, Eliene era pastora da igreja demolida pela Agefis. Enquanto a máquina derrubava o templo improvisado, mulheres choravam.

Desde a primeira ação, no começo do mês, governo e ocupantes entraram em negociação para a saída e a concessão de aluguel social e inscrição em programas habitacionais. Das 66 famílias que ocupam o local, 51 estão habilitadas para os benefícios. De acordo com a Agefis, o acordo não foi aceito e, por isso, a retomada das derrubadas foi convocada. A agência alega que essa é a única área do Parque do Guará que ainda tem ocupações irregulares.

Os moradores contestam a versão do governo. Para eles, a Lei 5.781, que prevê a desocupação humanizada e um prazo de três meses para notificação, está sendo descumprida.

PMDF alega que uso da força foi necessário

Em nota enviada à reportagem, a Polícia Militar afirmou que o uso da força foi necessário para interromper as agressões a policiais. Segundo o Comando da PM, um policial teve uma fratura no braço e os manifestantes atiraram paus e pedras em direção à tropa.

“É importante frisar que o administrador regional esteve no local antes do início da operação e tentou negociar com os moradores para que a desocupação ocorresse de forma pacífica. Contudo, como não houve acordo e os moradores optaram por impedir o cumprimento da ordem judicial, foi necessária a ação policial”, informou a assessoria de imprensa da PM.

A reunião com os ocupantes se estendeu até a noite. Segundo o administrador do Guará, André Brandão, boa parte dos moradores aceitou o acordo com o governo e deixará a área. Brandão nega que a especulação imobiliária tenha influência na desocupação. “Trata-se de uma área pública, que precisava ser desocupada. É um local nas proximidades do Parque do Guará e vai permanecer como área verde. O governo vai pagar auxílio aluguel até que se encontrem terrenos para que essas pessoas possam ocupar”, explicou.

O Governo de Brasília não se pronunciou para confirmar as reuniões da semana passada com as lideranças comunitárias do SOF Sul, até o fechamento desta edição.

Protesto
Policiais indiciados
Tiros na Esplanada

A conduta de três policiais militares durante protestos resultou no indiciamento deles por lesão corporal. O episódio em questão foi um ato na Esplanada dos Ministérios em 24 de maio deste ano. Um vídeo flagrou os militares fazendo disparos de arma de fogo no meio da via.

Durante a confusão do protesto, um manifestante de 61 anos foi baleado no rosto. A polícia não confirmou se a bala partiu dos PMs ou de outros presentes no local. A vítima ficou internada em estado grave, mas já recebeu alta.

Os servidores flagrados nas imagens já haviam sido afastados do policiamento nas ruas, e agora desempenham atividades administrativas. O processo foi encaminhado à Auditoria Militar, vara do Tribunal de Justiça responsável pela avaliação dos crimes envolvendo militares.

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