Kamila Farias
kamila.farias@jornaldebrasilia.com.br
A Polícia Civil e o Ministério Público de Goiás (MPGO) ouvem hoje os dois últimos suspeitos de envolvimento em um esquema de venda ilegal de lotes em Planaltina de Goiás. Com o resultado da análise das documentações apreendidas, que devem sair em 15 dias, o MPGO entrará com a denúncia criminal. Como mostrou o Jornal de Brasília ontem, seis pessoas foram presas por falsificar documentos e fazer venda dupla de mais de dois mil terrenos no Jardim Paquetá, na entrada do município. Mais vítimas procuraram a polícia.
De acordo com o promotor de Justiça do MPGO, Rafael Simoneti, dois dos envolvidos foram interrogados ontem. M. J. S., funcionária do cartório envolvido no esquema, foi a única que deu informações importantes. Já o advogado e sócio da imobiliária Ciop, R. G., negou trabalhar na ilegalidade.
“Ela nos deu mais provas e detalhou como o grupo agia, mas ainda vamos manter em sigilo até terminar de ouvir todo mundo. Já o advogado nega tudo, diz que sempre agiu de maneira correta. A questão é que ele não nos convenceu, pois temos informações evidentes de que ele participava de forma irregular”, afirma o promotor. Hoje, os ouvidos são o dono do cartório, L. R. M., e seu filho, que também era sócio da imobiliária, F. M.
Simoneti explica ainda que, após a coleta dos depoimentos, finalizados nesta semana, provavelmente será solicitada a prorrogação do mandado de prisão dos seis envolvidos, que tem o prazo de cinco dias. “Após essa semana, iremos analisar a prorrogação de prisão, ver a necessidade de pedir a prisão de outros envolvidos e ouvir testemunhas e vítimas”, informa.
Apesar de já ter sido ouvido na última quarta-feira, o advogado B. E., que prestava assessoria jurídica para a imobiliária Ciop e também é assessor de uma desembargadora do Tribunal de Justiça do DF (TJDFT), prestará depoimento hoje novamente. De acordo com o Simoneti, ainda há detalhes que precisam ser esclarecidos.
Prerrogativa
“Ele ainda não nos convenceu. Vale ressaltar que ele foi empossado há pouco tempo no TJDFT e sabemos que o cargo dele não tem relação com o fato. Ou seja, a desembargadora não tem a ver com o esquema. Ele se utilizava apenas da prerrogativa de advogado”, conta.