Bárbara Fragoso
*Especial para o Jornal de Brasília

Moradores de Ceilândia precisaram sair de três casas após interdição da Defesa Civil. Isso porque uma estrutura metálica se soltou do telhado do supermercado Tatico, no Setor Sol Nascente, após uma forte chuva ocorrida na noite do dia 31. Era grande o risco de queda do material. Parte de outra unidade da rede foi demolida no mês passado, por ocupar área pública.
De acordo com o coronel Sérgio Bezerra, da Defesa Civil, o órgão foi acionado pela comunidade na última quinta-feira. “Procuramos os proprietários do Tatico, mas não os encontramos”, conta. O Corpo de Bombeiros foi acionado para retirar a estrutura, mas não possuía os equipamentos necessários. “Tivemos que isolar a área imediatamente e algumas casas”, conta.
Somente ontem o órgão conseguiu contato com a diretoria do mercado, para que a rede contratasse o serviço viável. “Não queríamos que as pessoas corressem risco com o possível desabamento da estrutura. Às 7h de hoje (ontem), falamos com eles e, ainda pela manhã, começou o trabalho para deslocar o material”, afirma Bezerra.
A previsão era de que as famílias pudessem voltar às casas ainda ontem, segundo o major Lopes, encarregado pela vistoria local. “O termo de desinterdição será entregue aos moradores após avaliarmos o ambiente. O problema é que a área está abandonada e sem manutenção”, comenta. Segundo ele, não há garantia de que o resto da estrutura não desencadeie outros problemas. “Toda a área é irregular. Logo, não possui constante cuidado. Se não houver reparo, acontece isso”, ressalta.
Encarregado pela manutenção do Tatico, Marcelo Pereira comenta que, por volta das 8h, uma equipe começou a cuidar da remoção. “Contratamos uma empresa com seis funcionários para retirar a estrutura. Estamos correndo atrás da autorização para que o mercado passe a funcionar”, afirma.
Utilidade
Para o servidor público Belditon Sousa, 42 anos, morador da área há dez anos, a população carece de um mercado que atenda às demandas de compras diárias. “Sempre temos que ir aos que ficam longe de casa. Precisamos de um que seja de grande porte, independentemente de ser ou não o Tatico”, comenta. Para ele, a área precisa ter utilidade para a comunidade. “O local não pode ficar assim. Durante a noite, é comum ver moradores de rua acampados na frente dele. É perigoso”.
Desde que passou a residir em Ceilândia, há dois anos, o servidor público Ricardo Magalhães, 59 anos, observa o cenário de abandono. “A situação é prejudicial para as pessoas que moram perto”, indica.
Saiba mais
Outra unidade do Tatico, na CNN 1 de Ceilândia, ocupava área pública. Após décadas de irregularidade, parte da estrutura foi derrubada pela Agefis no mês passado.
A emissão de autos aos responsáveis pelo supermercado incluiu interdição, intimação demolitória e infração.
Ao descumprir um dos autos de interdição, o estabelecimento recebeu a multa de R$ 52 mil, além de diversas outras taxas.