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Sob nova direção, Via Sacra 2022 já começa a ser pensada

Grupo católico elegeu, neste domingo, uma nova equipe gestora e um conselho fiscal

Por Mayra Dias 27/09/2021 6h00
Foto: Grupo Via Sacra

O tradicional evento católico realizado em Planaltina DF, a Via Sacra ao vivo, está agora sob nova direção. No último domingo, foi eleito um novo conselho de coordenadores. Com um novo plano de trabalho, composto por 36 propostas, José Vicente Rezende, conhecido como Preto Rezende e, agora, coordenador-geral do grupo, diz estar feliz e ansioso para seguir com o trabalho do coletivo. “Acredito que faremos um bom trabalho. A equipe eleita é excelente, e estamos com uma grande responsabilidade nas costas”, afirma o ator que, durante anos, interpretou Judas no espetáculo.

A Via Sacra ao vivo de Planaltina, também conhecida como Via Sacra do Morro da Capelinha, é um evento cultural religioso consagrado como uma das maiores produções católicas da capital federal. “É um grupo muito grande e importante em todo país”, desenvolve Preto Rezende, eleito a partir dos votos dos próprios membros maiores de 16 anos de idade e que integram o grupo há mais de dois anos. O coordenador já ocupou o mesmo posto entre os anos de 1999 e 2007 e, por esse motivo, acredita ter muito a agregar nessa nova fase. “Eu acho que terei com o que contribuir devido essa minha experiência. Para isso, conto com o apoio de toda a chapa eleita junto comigo”, declara Vicente.

Além de Preto, ocupam a direção, a partir de agora, João Macedo, como vice-coordenador, Milena Aparecida e Roberto Estevão, novos tesoureiros, Elenir Oliveira, no posto de 1 secretária e Janayara Crispiana na cadeira de 2 secretária. A eleição, contudo, contou, pela segunda vez consecutiva, com uma novidade, e trouxe um grupo de 5 pessoas intitulado “Conselho Fiscal”. Como explica Preto Rezende, a agremiação estará responsável por cuidar dos gastos do espetáculo, visto que o Grupo Via Sacra já foi questionado, mais de uma vez, pelo Governo do Distrito Federal (GDF) por falta de comprovação de gastos. Esta é a segunda vez que o conselho fiscal também é eleito por voto, e não indicado pela coordenadoria-geral. A encenação recebe recursos da Secretaria de Cultura.

“Podemos esperar dessa nova coordenação muito respeito e cumprimento das normas. Haverá um recadastramento dos membros, a promoção de mais encontros religiosos, assim como uma comunicação ainda mais eficiente com os membros dos grupos”, pontua o novo coordenador, citando apenas algumas das 36 propostas presentes no novo plano de trabalho. “A Via Sacra representa, pra mim, um chamado, a mim e a toda comunidade, seja ela artística, comunitária ou popular. O nosso objetivo é apenas um: evangelizar por meio da arte”, acrescentou.

O evento

Considerado patrimônio cultural imaterial desde março de 2008, quando o governador José Roberto Arruda editou o decreto 28 870, a celebração religiosa compõe o calendário oficial do Distrito Federal desde abril de 1987. Com encenações teatrais que retratam toda a cronologia que marca a vida de Jesus Cristo, a Via Sacra foi realizada, pela primeira vez, no Morro da Capelinha em Planaltina, em 1973. O roteiro, desta forma, vai desde o julgamento e crucificação, até a ressurreição do filho de Deus.

“Nós estamos plantados em uma cidade que já existia antes da vinda da capital, e traz uma raiz e uma importância cultural muito forte. Somos uma cidade conhecida pela religiosidade. Temos, em Planaltina, dois patrimônios culturais imateriais decretados: além da Via Sacra, a Festa do Divino Espírito Santo também foi tombada”, argumenta Preto Rezende. Com um público fiel, a famosa encenação reúne, na chamada “Praça do Calvário”, milhares de pessoas todos os anos. Estima-se que ao longo de todo o trabalho, passem pelo Morro da Capelinha algo em torno de 150 mil pessoas.

Para a realização da peça, é realizado um minucioso trabalho de pesquisa por todos os atores. As informações são retiradas de livros de época, bem como na própria Bíblia, de modo que entendam os costumes, habitantes e comércio da cidade santa. O objetivo dos atores, com isso, é criar o clima adequado para que a multidão entenda o contexto histórico, político e religioso que existiam na época da Paixão de Cristo. Antes mesmo da Via Sacra, o espetáculo já conta com a encenação da Cidade de Jerusalém, representada por cerca de 1.100 figurantes.

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Pandemia e futuro

“A pandemia interferiu na vida de todos nós. Como um grupo de 1.400 membros, a Via Sacra também sentiu esses efeitos”, relata o coordenador eleito. “Tivemos algumas perdas e sentimos muito por todas elas. No ano passado, nosso evento aconteceu por meio de orações, e a deste ano foi em forma de carreata e encontros em hospitais”, relembra Preto Rezende, ressaltando a importância da vacinação e convocando todos a buscarem a imunização. “Desta forma, poderemos voltar a realizar nosso evento novamente”, salienta.

Para o próximo ano, todavia, ainda não há planos concretos. As incertezas advindas da pandemia, e que ainda cercam o contexto de grandes eventos, não permite que haja o planejamento de um na mesma proporção dos anos que antecedem a crise sanitária, mas, como garante o ator aposentado, as expectativas existem, e a Via Sacra 2022 já começou a ser idealizada. “Vivemos um momento muito delicado ainda. Não sabemos como será a liberação para esse tipo de festa, então estamos aguardando, sem deixar de pensar em possíveis maneiras de realizar nosso evento”, diz. “Não sei como faremos, mas faremos! De um jeito ou de outro. Com toda a responsabilidade e prudência possível, tanto para a comunidade quanto para os nossos atores”, finaliza.








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