Uma plateia em polvorosa, uma cantada de pneus e o empenho, quase descontrolado, de fazer o velocímetro marcar, o mais rápido possível, 200 quilômetros por hora. O cenário retrata o ambiente onde muitos jovens se reúnem para promover competições ilegais e manobras arriscadas, como os rachas. Segundo dados do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), em 2010, 988 pessoas foram autuadas em flagrante fazendo manobras perigosas. Já no primeiro mês deste ano, um total de 261 habilitações foram apreendidas, sendo que, 27 destas apreensões aconteceram pelo condutor fazer demonstrações e exibições de manobras perigosas.
Apesar das estatísticas não se referirem apenas as manobras realizadas pelos adeptos dos rachas, a prática está cada vez mais comum e coloca em risco, não apenas a vida de quem esta na direção e na plateia do “espetáculo”, mas também de quem passa próximo aos locais do encontro e, por vezes, é surpreendido por um carro desgovernado.
Segundo o professor de Engenharia de Tráfego da Universidade de Brasília (UnB), Paulo César Marques, a prática de rachas é inadmissível. Ele assegura que competição não tem relação com trânsito. “Qualquer tipo de competição tem que ser realizada em um local próprio para isso e que ofereça a segurança necessária para todos. É um crime esse tipo de prática em via pública. É um risco para o condutor, para quem assiste e para que não tem nada a ver com aquilo”, afirma.
Pensando em diminuir a incidência desta prática, desde o último ano, foi promovido um aumento na fiscalização, inclusive por meio de monitoramento de redes sociais, para coibir eventuais encontros marcados pela internet. Com isso, os rachas convencionais, com horário e local definidos, diminuíram. Entretanto, cavalos de pau, arrancadas cantando pneus e outras atitudes avaliadas por especialistas como comportamento de risco aumentaram.
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