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Brasília

SLU destaca ações que colocaram o DF na liderança de ranking nacional

Entre as ações citadas pelo SLU que impactaram na posição, estão os investimentos em tecnologia, a inclusão de catadores

Amanda Karolyne

07/05/2026 6h13

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Foto: Divulgação/SLU-DF

Como bem publicizou o Jornal de Brasília o Distrito Federal consolidou-se como referência em gestão ambiental ao conquistar o primeiro lugar no pilar de Sustentabilidade Ambiental do Ranking de Competitividade dos Estados 2025. O levantamento, publicado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), avalia o desempenho das 27 unidades da federação com base em indicadores de políticas públicas e eficiência administrativa. Em entrevista ao Jornal de Brasília, a diretora técnica do Serviço de Limpeza Urbana do DF (SLU), Andrea Almeida, detalhou as ações que impulsionaram a capital ao topo da lista.

Os dados revelam um salto significativo: o DF subiu seis posições em relação à edição anterior, saindo do 7º para o 1º lugar no indicador ambiental. O avanço foi motivado pela melhora em variáveis como destinação adequada do lixo, saneamento, reciclagem e redução de emissões de CO2. O DF lidera nacionalmente nos quesitos de coleta seletiva e destinação final de resíduos, além de ocupar a 2ª posição em reciclagem.

Eficiência Operacional e Inclusão Social

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Foto: SLU

Para a diretora técnica do SLU, essa posição privilegiada é fruto de um trabalho intensivo, especialmente na coleta seletiva. “No último ano, ampliamos os contratos de triagem de 20 para 31, além de mantermos 22 contratos de coleta inclusiva realizados diretamente com catadores”, explicou Andrea (foto). Como resultado, o volume de materiais triados saltou de 58 mil toneladas em 2024 para 66 mil toneladas em 2025 — um crescimento de 12,5%.

Andrea afirmou que o investimento refletiu diretamente na taxa de aproveitamento. Segundo ela, somando as coletas convencional e seletiva, o DF recicla hoje quase 10% de todo o material recolhido. “Houve uma diminuição no volume da coleta convencional: de 730 mil toneladas em 2024 para 724 mil em 2025. Isso indica que a população está separando o lixo corretamente, migrando o material para a coleta seletiva”, pontuou. Além disso, ela ressaltou que mais de 40% dos rejeitos orgânicos da coleta convencional passam por usinas de tratamento mecânico-biológico.

Outro ponto destacado foi a expansão dos Papaentulhos, que cresceram de 23 para 28 unidades em operação, com meta de chegar a 43 até o final do ano. O serviço recebe resíduos de construção civil, podas e materiais volumosos. “São itens como sofás, camas e colchões. Estamos oferecendo facilidade para que a população descarte corretamente”, afirmou a diretora.

Infraestrutura e Vanguarda no Tratamento de Resíduos

Andrea apontou que a infraestrutura de disposição final é um dos pilares que projetaram o DF nacionalmente. Ela citou o Aterro Sanitário de Brasília, inaugurado em 2017, que hoje possui índice de qualidade máximo. Com monitoramentos que superam as exigências legais, a estrutura utiliza estudos geofísicos avançados. “É como se fizéssemos uma tomografia do aterro para garantir que não existam vazamentos ou bolsões de chorume e gás. Esses dados são transparentes e estão disponíveis para a população”, ressaltou.

A gestão de Resíduos de Construção Civil (RCC) também é um diferencial. O DF processa cerca de 5 mil toneladas diárias de entulho, com taxa de aproveitamento superior a 40%. O material é transformado em insumos como brita e areia, utilizados pela Novacap e administrações regionais em obras públicas. “Deixamos de aterrar e de extrair recursos de pedreiras, gerando emprego e fazendo a economia circular”, explicou Andrea.

Conscientização e Hábito

Para a diretora, o mérito do SLU também passa pela conscientização da comunidade. “Percebemos que a população fez exatamente o que está escrito na Política Nacional de Resíduos Sólidos quando vemos a queda na coleta convencional e o aumento na seletiva”, reforçou. Ela explica que a gestão é compartilhada: se o cidadão separa o lixo e descarta no horário correto, o sistema garante a destinação adequada.

Andrea comparou o aprendizado da separação de resíduos à criação de um hábito cotidiano, como escovar os dentes. “No começo pode parecer difícil, mas hoje meus filhos fazem naturalmente. Com a coleta é do mesmo jeito; uma vez que se ensina e se torna um hábito, a separação correta acontece de forma automática”, exemplificou.

Inclusão Social e de Gênero

A diretora salientou ainda o impacto social da gestão, destacando que mais de 70% dos catadores são mulheres. “Quem separa seu material não está apenas colaborando com o meio ambiente e a vida útil do aterro, mas também com a inclusão de gênero”, afirmou. Segundo ela, a maioria dessas profissionais são mães solo e chefes de família, o que torna o trabalho de reciclagem um motor de emancipação feminina e suporte social.

O Ranking

No panorama geral, o DF ocupa o 4º lugar no ranking nacional de competitividade. O levantamento do CLP visa oferecer uma visão comparativa da eficiência da gestão pública, funcionando como uma ferramenta de avaliação e incentivo para melhorias estruturadas em dez pilares temáticos, sendo a sustentabilidade ambiental um dos eixos estratégicos para o desenvolvimento econômico e social do país.

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