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Brasília

Sindicato dos Delegados entrega lista com 857 pedidos de exoneração

Arquivo Geral

24/08/2016 15h07

Hugo Barreto

Hamanda Viana
hamanda.viana@jornaldebrasilia.com.br

A tensão entre o Governo do Distrito Federal e a Polícia Civil aumentou nesta quarta-feira (24). Rafael Sampaio, diretor do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil do DF, informou ter entregue à Casa Civil do Distrito Federal uma lista, ainda está incompleta, com os nomes de 857 servidores da Polícia Civil do DF que pedem exoneração dos cargos comissionados. Segundo o diretor do Sinpol-DF, a entrega dos cargos comissionados é mais grave do que uma greve geral.

Sampaio explicou que os afastamentos “geram uma situação extremamente grave nas unidades da polícia, considerando que grande parte das atribuições, especialmente de coordenação, de planejamento, determinações de ordem de serviços extraordinários, são feitos pelos chefes da unidade”. E complementou: “Tudo isso vai ficar comprometido em razão dessas exonerações.”

A população também fica prejudicada com a greve. Os agentes da Polícia Civil vão atuar de forma limitada e, nas palavras do diretor, a maior parte das ocorrências vai ficar com o encaminhamento comprometido, “porque sem os chefes não há atribuição dos feitos”. Crimes graves contra a vida, contra vulneráveis e estupro também não serão encaminhados sem os ocupantes dos cargos comissionados, pois a chefia tem atribuição para fazer o encaminhamento.

Com isso, as investigações realizadas pela Polícia Civil, também ficam comprometidas. “Eu seria leviano se dissesse que as investigações não seriam afetadas”, afirmou o diretor.

 

Aumento da criminalidade

De acordo com o diretor do Sinpol-DF, Rafael Sampaio, houve um aumento da criminalidade na Capital Federal. “O nosso desejo não é esse, mas infelizmente com a falta de sensibilidade do Governo do Distrito Federal em negociar com os servidores da Polícia Civil, isso acaba acontecendo” lamentou.

O Jornal de Brasília procurou a Secretaria de Segurança Pública e Paz Social do DF e foi informado que o balanço da criminalidade do mês de agosto ainda não foi fechado.

A quantidade de agentes civis em atividade também é um dos motivos de preocupação do sindicato. Com um efetivo de 4.838, o diretor explicou que é preciso realizar novas contratações. “Nós temos um quadro deficitário em mais de 50%. Um quadro menor que o de 1993, enquanto a população mais que triplicou. A criminalidade aumentou muito os índices em razão do aumento do índice demográfico de Brasília”.

De acordo com o Sinpol-DF, o quantitativo de policiais trabalhando hoje deveria ser de 9 mil, considerando o que a lei determinava como ideal em 1996 e calculado pelo atual volume populacional.

 

Negociações com o governo

Rafael Sampaio disse que os policiais convivem com uma grande defasagem salarial. “As perdas enfrentadas pelos servidores da Policia Civil são maiores que todos os servidores do DF, e nessa situação os servidores não têm estimulo para atuar da forma precária que estavam atuando.”

Sem receber uma proposta do governo, que declarou que as negociações estão na estaca zero, os agentes esperam que o GDF se sensibilize e que possa atende-los de forma cabível.

“Nós não vamos viver essa situação de precariedade de forma passiva. O GDF vai ter que nos dar uma resposta ao menos salarial. Esperamos que ele nos de uma resposta salarial e também de novas contratações de servidores.”

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