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Brasília

Sexta-feira da Paixão: de joelhos, como forma de agradecer

Arquivo Geral

19/04/2014 8h00

A Sexta-feira da Paixão começou cedo para muitos fiéis no Morro da Capelinha, em Planaltina. No local, palco da tradicional encenação da Via Sacra de Jesus, era possível acompanhar várias pessoas pagando promessas de joelhos. Diante do sacrifício de subir quase dois quilômetros até o final do morro, o apoio vinha de todos os lados através de frases e palavras de incentivo como “força”, “não desista”, “você consegue” e “falta pouco”. 

O clima era de muita fé e esperança entre os devotos. “Os médicos falaram que só Deus poderia resolver o problema no meu braço esquerdo. No mesmo dia, fiz essa promessa”, conta o serralheiro Gilson da Silva, 32 anos. Segundo ele, por causa de um acidente de trabalho em abril do ano passado, o braço e a mão esquerda perderam força e alguns movimentos. “Quebrei os dois braços, mas consegui recuperar o direito. Agora, espero por uma cirurgia para  resolver o problema do esquerdo”, afirma.

Ao completar todo o percurso, com muita dor nos braços, Gilson foi levado para uma ambulância e socorrido pelos bombeiros. 

 De acordo com a esposa dele, Zélia da Silva, 32 anos, a ansiedade toma conta de toda a família, pois o Hospital de Base, local onde foi feito todo o procedimento desde o acidente de Gilson, afirma não ter os materiais necessários para a cirurgia. “Meu marido está há um ano com parafusos provisórios no braço esquerdo. Ele não consegue trabalhar, está desempregado e não tem como sustentar a família”, desabafa, informando que o esposo já foi internado seis vezes. 

Contra o alcoolismo

Para o estudante Allyson Rodrigues, 17 anos, a motivação para subir ajoelhado foi o alcoolismo do pai, o vendedor Ribamar Rodrigues, 46 anos. “Parei de beber há dois meses porque ele me pediu. Quando eu bebia ficava muito agressivo. Essa é a maior prova de amor de um filho pelo pai, nunca mais vou beber na vida”, assegura Ribamar.

Ritual seguido por muitos há anos

O pedreiro José Luis Silva, 42 anos, foi ao Morro da Capelinha, como faz todos os anos, para continuar se mantendo longe do vício em jogo e álcool. “Foi a minha fé que me curou, nunca mais entrei em um bar depois que sofri um acidente por causa da bebida. Venho todo ano agradecer e saio cheio de esperança”, declara.

Quem também não deixa de ir a Planaltina todos os anos para agradecer é a aposentada Elsa Alves Machado, 66 anos. Para ela, o mundo está carente de amor e com excesso de intolerância. “Temos que aceitar as pessoas como elas são. Venho sempre agradecer, pois todo o sofrimento que qualquer um de nós passa é mínimo perto do que a Virgem Maria enfrentou”, afirma Elsa, ressaltando que as pessoas precisam lembrar de Deus sempre e não apenas na hora da angústia.

Sonho realizado

 

 O evento reuniu ainda muitas famílias. O autônomo Dener Willian de Souza, 22 anos, fez questão de levar o filho Pietro, de quatro meses, e a esposa Paulyana Faria, 18 anos, para acompanhá-lo no trajeto até o topo do morro. Ele foi agradecer a realização de um grande sonho: ser pai.

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