Renan Bortoletto
Especial para o Jornal de Brasília
“Ao acordar hoje pela manhã, fiquei imaginando como os nossos representantes políticos veem toda essa situação. Eu acho que eles pensam que é um filme, de terror. Só que não sabem que quem passa por ele não acorda nunca desse pesadelo”. Foi com essas palavras que a mãe do jovem morto em Águas Claras definiu o momento de angústia que marcava a missa de 7º dia em memória do administrador Leonardo Almeida Monteiro, assassinado a tiros em frente ao prédio onde morava com a mãe.

Ainda muito abatida e convivendo com a dor inestimável de perder um filho, Ana Cleide Almeida foi consolada por familiares e amigos em missa celebrada na Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na 308 Sul. O ato religioso reuniu cerca de 300 pessoas entre familiares e amigos, que carregavam nos braços uma fita preta de luto. O clima na capela era de muita emoção e tristeza.
A mãe de Leonardo chegou junto de familiares e não conteve as lágrimas. A tia da vítima, que chegou primeiro ao local, espera que o caso sirva de lição para que o governo tome providências contra a criminalidade no Distrito Federal.
Lição
“Eu realmente espero que a atuação da polícia volte a ser eficaz. Eu não senti mudança nenhuma ainda nestes sete dias. Não tenho sensação de segurança ao andar pelas ruas”, disse Alessandra de Fátima Almeida, tia de Leonardo.
Mariana Sabino, prima de Leonardo, afirmou que a paralisação por parte da Polícia Militar pode ter encorajado os bandidos a agirem livremente pelo DF. “Meu medo é que essa onda de violência não tenha fim. Não sabemos o porquê disso, nem se a paralisação contribuiu para o ocorrido. Só não queremos que a morte do Leonardo seja em vão”, disse.
Uma amiga da família de Leonardo disse que os dois menores e um maior que participaram do crime também são vítimas, mas de um país que ainda tem muito o que melhorar. “Ficam às margens da sociedade e com o tempo só aprendem coisa ruim, sem instrução.”