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Brasília

Servidores que trabalham na Esplanada dos Ministérios pedem mais segurança

Arquivo Geral

22/03/2012 18h07

Kelly Ikuma
Kelly.ikuma@jornaldebrasilia.com.br

 

Mais de 200 pessoas se reuniram nesta quinta-feira (22), no estacionamento em frente ao anexo do Ministério da Agricultura, para pedir mais segurança na Esplanada dos Ministérios. O ato público contou com a presença de servidores do Ministério da Agricultura, local visto como um dos principais alvos dos assaltantes, e de funcionários dos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Saúde.  Desde o início do ano, o número de assaltos, furtos e tentativas de seqüestros aumentou consideravelmente na região e somente no último mês duas mulheres foram alvo de seqüestro-relâmpago nas proximidades do estacionamento do órgão.

 

A preocupação é tamanha em relação à segurança, que os funcionários e prestadores de serviços do Ministério da Agricultura formaram um comitê para sensibilizar as autoridades sobre a questão. Outras ações tomadas pelos integrantes do movimento foram a elaboração de um abaixo-assinado, com cada vez mais adeptos por causa da mobilização de servidores dos outros ministérios, e de um dossiê com todos os crimes ocorridos na região somados aos Boletins de Ocorrência (BO). Todos esses documentos e uma carta de reivindicações foram entregues ao Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho.

 

A servidora e representante do comitê, Maria Cristina Bustamante, disse que tem consciência de que o ministro não tem como tomar providências efetivas em relação ao problema, mesmo porque a área é de responsabilidade do GDF, mas que ele foi escolhido para receber a carta porque ela foi protocolada no órgão e esse ato chamará a atenção das autoridades responsáveis.  Segundo ela, algumas reuniões já foram realizadas com o secretário executivo do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz; com o Batalhão da Polícia Militar e até representantes do GDF e que agora os servidores aguardam alguma resposta.

 

Algumas medidas emergenciais foram citadas, na ocasião, pelo subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração do órgão, Manoel Rodrigues dos Santos Júnior, que participou do ato público como representante do secretário executivo. De acordo com ele, está sendo discutida a instalação de sirenes e de câmaras nas guaritas dos prédios; a disponibilização de telefones diretos com a polícia nesses locais; e a circulação de motos com seguranças. O subsecretário disse que essa última ação depende da aprovação da Polícia Federal, já que seriam utilizados os agentes que trabalham nos prédios, e que as outras medidas dependem do GDF, mas garante que estarão resolvidas em no máximo 30 dias.

  
Representantes do 6º Batalhão da Polícia Militar do DF se reuniram com o secretário executivo e se prontificaram em aumentar o efetivo na Esplanada dos Ministérios. O tenente Gerson de Lima Almeida disse que desde quarta-feira (21), além do policiamento normal, três motos estão fazendo a ronda na região. Segundo ele, outra medida tomada pelo batalhão foi o de pedir à Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) para fazer o cadastramento dos flanelinhas que trabalham na região. O tenente pede ainda que as pessoas que foram vítimas de algum crime registrem ocorrência. “Nós trabalhamos com estatísticas, por isso é importante que as pessoas se desloquem até uma delegacia para podermos visualizar a necessidade de cada local e intensifiquemos a segurança”, afirma.

 

Mudança de comportamento

 

Até o comportamento das pessoas mudou após o relato de tantos crimes no estacionamento do anexo do Ministério da Agricultura. A servidora do órgão, Janaína Garçone, 34, que teve seu carro arrombado no local, disse que agora observa atentamente antes de entrar no veículo e que chega mais cedo para poder estacioná-lo em frente à guarita de segurança. “Fiquei traumatizada, pois quando o fato ocorreu, tinha comprado o carro há menos de dois meses. Eles levaram toda a parte elétrica. Agora nem me atrevo a passar maquiagem ou procurar meu crachá ainda dentro do carro”, disse. Ela é uma das muitas pessoas que não registraram ocorrência, mas justifica que “a programação policial não pode depender de uma BO”.

 

Sua colega de trabalho, Eduarda Machado, 36, passou pelo mesmo trauma. No mês passado, ela foi surpreendida com uma fechadura quebrada e os dois pneus furados. “Tem um local nos fundos do estacionamento chamado Praça Portugal, onde muitos meninos de rua fumam maconha. Penso que eles podem ser os responsáveis por esses crimes. A polícia tem que ficar de olho nessa área”, afirma. Ela relatou ainda que está sendo levantada a hipótese da existência de uma quadrilha na região. “Eles não trabalham sozinhos. Estão sempre com três a quatro pessoas”.

 

A representante do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no DF, Aldenora Maria de Oliveira, participou do ato público e deixou seu recado: “Se dentro de 15 dias as providências não forem tomadas para aumentar a segurança no local, eles vão parar as atividades na Esplanada dos Ministérios”.

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