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Brasília

Servidora atropelada não pôde comparecer à primeira audiência

A vítima Tatiana Matsunaga, de 41 anos, foi dispensada por “não possuir condições de falar”, de acordo com a defesa

Redação Jornal de Brasília

30/03/2022 19h27

Imagem: Reprodução

Por Tereza Neuberger
redacao@grupojbr.com

A pedido da defesa, a servidora pública Tatiana Matsunaga, de 41 anos, atropelada covardemente após uma discussão no trânsito, foi dispensada da primeira audiência sobre o caso que ocorreu nesta quarta-feira (30). A dispensa foi concedida pelo juiz, em concordância com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), de acordo com o advogado de defesa da servidora, Frederico do Valle Abreu.

Tatiana foi atropelada pelo advogado Paulo Ricardo Moraes Milhomem, e após longo período em estado grave, segue em tratamento. A servidora pública apresenta sequelas neurológicas. O diagnóstico consta em um laudo apresentado à Justiça.

O atual estado de saúde da servidora foi o que motivou o pedido de dispensa da audiência por parte da defesa. De acordo com o advogado, “ela não tem condições de falar sobre absolutamente nada”. Frederico do Valle acrescentou ainda, que a sua cliente apresenta alterações na memória o que provoca instabilidade.

Conforme o laudo apresentado à Justiça e anexado ao processo, Tatiana apresenta confusão mental, episódios de “amnésia retrógrada, delírios persecutórios e alucinações visuais”. Dentre as sequelas deixadas pelo atropelamento, a servidora está em cadeira de rodas e pode voltar a andar com tratamento e acompanhamento médico. Tatiana também perdeu a função de boa parte dos olhos, após o ocorrido, em ambos a situação é irreversível.

Confira outro trecho do laudo sobre o estado de saúde de Tatiana: “Ela tem prejuízo da manutenção da atenção e defeito de campo visual esquerdo; leve hemiparesia esquerda (paralisia que impossibilita movimentos); prejuízo da sensibilidade em parte da face e no corpo esquerdo; e tem relato de diplopia (visão dupla de um só objeto).”

O advogado Paulo Ricardo Milhomem, responde por tentativa de homicídio qualificado, e segue preso após ter mais um pedido de liberdade negado. O juiz Frederico Ernesto Cardoso manteve a prisão preventiva por entender que é o meio necessário para “preservação da ordem pública”.

A defesa do advogado solicitou que a vítima fosse ouvida. Porém, segundo o juiz responsável pelo processo, a mulher apresenta “sequelas neurológicas e não possui capacidade de prestar depoimento”.

Em 25 de agosto de 2021, a servidora da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), Tatiana Thelecildes Fernandes Machado Matsunaga, foi atingida em cheio pelo veículo dirigido por Paulo Ricardo Moraes Milhomem. A violência aconteceu após uma discussão entre Tatiana e Paulo, na porta da casa dela, e foi presenciada pelo marido e o filho, de apenas 8 anos, de Tatiana. A servidora permaneceu internada por três meses em um hospital particular do DF, foi liberada, e segue em acompanhamento médico.

A audiência

O juiz vai analisar dois fatores: se há comprovação do fato e se houve indícios de autoria da agressão, de acordo com advogado da defesa, Frederico do Valle Abreu. A defesa segue confiante sobre essa análise, pois além do vídeo que mostra a ação de Milhomen, o advogado também conta com o testemunho do marido da Tatiana. Ele presenciou tudo e será ouvido como testemunha ocular do caso.

A ação de Milhomen na ocasião do atropelamento, de verá ser vista pelo judiciário como tentativa de homicídio, com agravante de motivo fútil, de acordo com o advogado Frederico.

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