Sob uma faixa “Greve de fome contra a redução de 1/4 do salário” o servidor Marcelo Parise, do Instituto de Física, permanece sentado na praça Chico Mendes. A decisão foi anunciada durante assembléia do Sindicato dos Trabalhadores Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), nesta quinta-feira, 9 de setembro. Parise garante que permanecerá sem se alimentar até o pagamento da URP, valor correspondente à 26,05% do salário dos servidores. A última refeição dele foi às 8h30.
Parise ficará acampado na praça Chico Mendes, local que julga ideal para realizar o ato pela grande circulação de pessoas. “Aqui a comunidade pode ver que eu realmente não estou comendo”, disse ele durante a reunião. Membros do Comando de Greve defendem, contudo, que o protesto deve ser feito na reitoria da UnB. “Lá é o coração da universidade e onde vai chamar mais atenção”, defende o servidor Mauro Mendes.
Preocupados com a saúde do servidor, os grevistas providenciaram apoio médico para Parise. “Temos que dar apoio ao companheiro, garantido inclusive assistência psicológica”, afirmou Maurício Sabino, membro da Comissão de Imprensa do Comando de Greve. Para Cosmo Balbino, coordenador-geral do Sintfub, “é preciso deixar claro que a greve de fome é uma iniciativa pessoal”.
Para José Wagner, advogado do Sintfub, a ação do servidor não será usada contra o movimento. “A greve de fome representa a própria dificuldade de se manter que os servidores estão passando”.
UNIDADE – A palavra de ordem na assembleia foi a manutenção da unidade. Os servidores defenderam que a coesão do movimento não pode ser quebrada, mesmo que alguns estejam conquistando liminares favoráveis em processos individuais, como uma servidora que conquistou recentemente o direito à URP na Justiça. José Wagner acredita que os caminhos individuais não levarão ao resultado favorável. “Quem vai julgar esses processos vai ser o Tribunal Regional Federal (TRF), o mesmo que julgou contra nós”, observou o advogado.
O servidor Mauro Mendes, por outro lado, ressalta que o resultado da ação mostra que “o movimento está correto e nossa luta é legítima”.
A greve dos servidores completou 178 dias nesta quinta-feira sem perspectivas para terminar. O Comando de Greve busca alternativas para manter vivo o movimento até uma resposta da Ministra Carmem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, sobre o processo que pede o pagamento da URP aos técnicos até o julgamento do mérito na corte.
Durante a tarde, o Comando de Greve se reuniu com o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), José Eudes, para pedir apoio nas negociações pelo pagamento da URP. A próxima assembleia da categoria está marcada para a próxima terça-feira, 14 de setembro.