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Brasília

Serviço da Caesb ainda pode demorar

Arquivo Geral

08/02/2014 8h06

Os moradores da região afetada com a falta d’água após o rompimento de uma adutora na Estrada Parque Taguatinga Guará (EPTG) podem enfrentar mais transtornos hoje. Isso porque a previsão da Caesb é de que o serviço seja normalizado por completo apenas às 18h deste sábado. A companhia informou que “em função do extenso período de falta d’água nas redes e reservatórios, o abastecimento começaria a ser feito  gradativamente”.

Escolas da região cancelaram as aulas e disseram que só retomariam as atividades quando o abastecimento de água fosse normalizado. No comércio, houve prejuízo.

O terceiro dia de reparos à adutora  foi de muito trabalho e de transtornos com a falta de água e trânsito. Uma das três faixas da via continuou fechada. Para minimizar os engarrafamentos, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) autorizou o uso da faixa exclusiva para ônibus, nos dois sentidos da via, até que a Caesb concluísse os serviços. 

Para garantir que novos desalinhamentos não ocorrerão, técnicos da Caesb  instalaram  placas protetoras de alumínio ao redor dos anéis de borracha que ligam as adutoras. Por volta das 7h15, homens do 8º Batalhão do Corpo de Bombeiros chegaram ao local para garantir a segurança dos trabalhadores. Equipes do DER auxiliaram no controle do trânsito. Ainda assim, os motoristas demoraram até uma hora para chegar ao Plano Piloto.

Restabelecimento

Só por volta das 8h30 o sistema foi, enfim, religado. “Vamos encher as adutoras a uma velocidade de 200ml por segundo”, garantiu o  diretor de Operações e Manutenção da Caesb, Acylino dos Santos. No início da noite,   o abastecimento de água já tinha chegado ao Lúcio Costa,   Guará I  e II e à Super Quadra Brasília.  Santos atribuiu a falha ocorrida à forte trepidação a qual o sistema está sujeito – devido ao grande fluxo de veículos – e à   pressão. 

Por volta das 11h, o aumento da velocidade de abastecimento subiu para 600ml/s, e, por medida de segurança, os bombeiros decidiram isolar e evacuar a área próxima a adutora.  Um rapaz que estava no engarrafamento, sob o sol escaldante, acabou passando mal e desmaiou. Ele foi prontamente atendido pelas equipes de resgate.

Estado das vítimas

Dois  dos cinco operários feridos no acidente de quinta seguem internados. Flávio Henrique de Matos,   21 anos, está em estado grave, mas estável. Ele permanece na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base. O jovem teve um princípio de afogamento e, em função de complicações, desenvolveu um edema pulmonar. Já Uberval Pereira da Silva, 42, que quebrou o fêmur da perna esquerda ao ser lançado do viaduto pela força da água, está bem e apresenta boa recuperação. A previsão era que ele passasse por uma cirurgia ainda   ontem.

Investigação policial

O caso foi encaminhado para a 4ª DP (Guará). De acordo com o delegado-chefe Rodrigo Larizzatti, a polícia aguarda o laudo da perícia para dar seguimento às investigações. “O laudo deve estar concluído em até 30 dias, mas vou tentar solicitar que saia antes, em caráter emergencial. As empresas envolvidas (Caesb e Geo Brasil) não podem responder criminalmente pelo acontecido, apenas administrativamente. Mas é provável que as empresas sejam condenadas a pagar indenizações às vítimas e à família do Luciano”. 

Ele acrescentou que as oitivas às testemunhas devem começar na semana que vem. E garantiu que as investigações apurarão se equipamentos e práticas de segurança estavam sendo utilizados no momento do acidente.

Bombeiro hidráulico é enterrado

Cerca de 150 pessoas estiveram no cemitério de Planaltina para o enterro do bombeiro hidráulico Luciano Almeida da Silva, 36 anos, morto após a segunda explosão da adutora da Caesb na EPTG. Dois dos seis operários feridos no acidente estiveram presentes.

Luciano era casado e pai de dois filhos, um de 14 anos e outro de 1 ano e 3 meses. A esposa dele, Edenilde Almeida, 42 anos, preferiu não entrar na capela nem ver o caixão. A prima de Luciano, Fabíola Araújo, 21 anos, explica que a Edenilde quer lembrar  do esposo vivo. 

A mãe de Luciano, Expedita Almeida da Silva, 62 anos, veio de Sobral (CE) para se despedir do filho. A aposentada conta que no último domingo conversou com ele por telefone e recomendou que deixasse o atual emprego. “Ele disse que vivia cansado e pensava em sair, mas tinha que conseguir outro emprego primeiro”, lamenta. “Nunca esperei enterrar o Luciano. Meu filho era tão bom”, completa a mãe.  

Discurso

Antes do sepultamento, um homem se identificou como representante do vice-governador do DF e discursou sobre a função de Luciano. O assessor de Tadeu Fillipelli disse que ele não enviou ninguém para representá-lo. A Caesb diz que o funcionário é agente de saneamento e não estava autorizado a falar em nome do governo.

 

 

 

 

 

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