
Um sequestro relâmpago à luz do dia chocou os moradores do Guará. Desta vez, a vítima foi uma professora. O crime aconteceu por volta das 13h, na QE 10, em frente à casa da família. Quando a mulher entrou no carro, um Honda Fit, os bandidos, armados com uma faca, iniciaram a ação.
“Eu estava almoçando. Minha irmã chegou de carro e pediu para eu tirar o meu do lado de fora para que ela estacionasse. Nesse momento, fui abordada e gritei. Aí, eles me disseram: ‘você vai morrer porque gritou’”, conta.
Ainda muito assustada, ela disse que teve crises de desmaio e tonturas durante o sequestro. “Tenho diabetes. Achei que fosse morrer mesmo. A todo momento, eles me ameaçam com uma faca próxima do pescoço”, relata, mostrando as marcas espalhadas pelo corpo.
O sequestro durou aproximadamente duas horas. “Eu disse que não tinha dinheiro. Porque não tinha mesmo. Nesse momento, eles ligaram para minha família pedindo R$ 500”, lembra a professora.
Segundo a vítima, os sequestradores são dois rapazes. Contudo, ela afirmou não se lembrar das feições, já que ficou a maior parte do tempo com o rosto coberto. “Eles só não levaram o plano adiante porque alguém, do Guará, ligou para um deles avisando que tinha um helicóptero rondando a quadra”.
Fuga
Ainda segundo a mulher, os bandidos pareciam confusos e não conseguiam organizar um plano. “Por isso, quando viram que a polícia estava atrás deles, decidiram me deixar, no carro, próximo ao Parque da Cidade”, disse a professora.
As horas de pânico só terminaram quando o irmão da vítima, que a procurava, acabou encontrando-a. “Ele me achou, me tirou do carro e me ajudou. Porque eu não conseguia me mexer. Eles (os bandidos) me mandaram ficar ali parada e eu não ia sair dali”, destaca.
Na Divisão de Repressão à Sequestros, os familiares da mulher reclamaram da violência no Guará. “Todo mundo vive com medo. Moramos em uma região onde as casas são protegidas por grades. Isso tem que ser mostrado”, afirmou o marido da vítima.
Os suspeitos seguiam foragidos até o fechamento desta edição.
Violência assusta a população
A violência assusta e coage os moradores do Guará. Para eles, falta policiamento ostensivo nas quadras, principalmente as mais distantes de onde há muito movimento. “Você só vê policial aqui em padaria, comércio, restaurante. Eles não andam nas quadras residenciais com frequência. Se andassem, não ia acontecer tanto roubo aqui”, reclama a autônoma Marciana Maria de Carvalho, 36 anos, que teve sua casa assaltada duas vezes em menos de um ano.
Outra moradora da região conta que também teve sua residência invadida por bandidos, na mesma quadra do sequestro relâmpago. “Eu morava na 10 também. Eles estavam escondidos só esperando a gente abrir o portão. Quando vimos, já estavam dentro da nossa casa, armados, nos ameaçando. Um deles chegou a atirar no meu marido durante o assalto”, conta Maria do Carmo Nascimento, 43 anos, apontando para a marca do tiro no braço do marido, Carlos Luís Carvalho.