Cerca de 100 pessoas deverão participar, no próximo dia 20 de agosto, do III Seminário Brasília Cinematográfica, que acontecerá no Centro de Excelência em Turismo (CET) da Universidade de Brasília (UnB), das 9h às 17h30. O evento visa validar e tornar públicos os resultados da segunda etapa do projeto Brasília Cinematográfica, que desde julho vem promovendo encontros para discutir os rumos do mercado audiovisual em Brasília.
Realizado desde 2008 pelo Instituto Dharma, com recursos do Fundo de Arte e Cultura (FAC) e apoio das secretarias de Cultura e Turismo do Governo do Distrito Federal, o Brasília Cinematográfica tem como objetivo aumentar a competitividade de Brasília como destino privilegiado de produções audiovisuais transnacionais.
No seminário, serão definidas as ações prioritárias do setor audiovisual nas cinco esferas estabelecidas pelas entidades representativas do projeto: institucional, inteligência competitiva, infraestrutura, qualificação e promoção do mercado audiovisual local. O evento deverá reunir representantes dos Governos Federal e Distrital, produtores, empresários, investidores, especialistas e demais representantes do setor.
Além de propor e discutir diretrizes para o setor, o Brasília Cinematográfica sugere a criação de um Núcleo de Permissão de Filmagens, que integraria a estrutura orgânica do Governo do Distrito Federal, com a missão de facilitar produções na região. A iniciativa também discute a instituição de mecanismos de incentivo fiscal capazes de movimentar a cadeia produtiva do DF, gerando emprego e renda para o setor.
O decreto que regulamentará as propostas deverá ser assinado em novembro, data de lançamento de publicação sobre a segunda etapa do Brasília Cinematográfica, durante o 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Na opinião do secretário de Cultura do Distrito Federal, Silvestre Gorgulho, Brasília ganha muito com o projeto. “Turismo, emprego, renda, lazer e entretenimento. Podemos trazer tudo isso com investimentos em cinema”, projeta.
Brasília Film Comission
Criado em 2008, o Brasília Cinematográfica estabeleceu em sua primeira etapa um projeto piloto e pioneiro, que servirá de modelo para outros destinos interessados em desenvolver seu potencial no turismo cinematográfico. Várias razões levaram à escolha da cidade como alvo da iniciativa. Terceiro maior pólo produtor de cinema do País, Brasília é sede dos três poderes nacionais, abrigando também representantes diplomáticos de várias nações. Cidade-síntese da cultura, dos costumes e da culinária nacional, Brasília também conta com locações diferenciadas para a produção de filmes.
Durante a primeira fase do Brasília Cinematográfica, foi criada a Brasília Film Commission, entidade sem fins lucrativos que organiza, integra e promove o segmento cinematográfico. As unidades da Film Commission são as organizações mais procuradas no mundo pelos produtores durante a escolha das cidades que servirão de locações para seus filmes. Presente em todo o planeta, a entidade esteve na Nova Zelândia e foi determinante para a captação do filme O Senhor dos Anéis. Outras produções de sucesso que contaram com a participação da organização foram O Último Samurai, As Crônicas de Nárnia: o leão, o feiticeiro e o guarda-roupa e o longa As Crônicas de Nárnia: o príncipe Caspian.
Pólo de Cinema e Vídeo Grande Otelo
Em julho, uma comitiva de autoridades visitou o Pólo de Cinema e Vídeo Grande Otelo, localizado em Sobradinho, para estudar possibilidades de revitalização do local. O espaço foi inaugurado em 1993 e, durante a primeira década de existência, patrocinou cerca de 80 títulos, além de oficinas e cursos ligados ao mercado audiovisual. Hoje, o número de curtas e longas metragens que contaram com apoio do Pólo chega próximo de 400.
Os recursos do Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional (Funcine), criado pelo Banco de Brasília (BRB) – em parceria com a Secretaria de Cultura do Distrito Federal – para financiar projetos do gênero, poderão ser utilizados para transformar o local em um complexo de audiovisual, multimídia e entretenimento.
A vice-governadora, Ivelise Longhi, que se comprometeu a resolver a questão fundiária que impede a titularização do terreno do Pólo, acredita no sucesso do projeto de revitalização. “Antes da construção do Pólo, havia descrédito de que Brasília pudesse abrigar um espaço como esse, mas ele se consolidou e por muito tempo foi importante para o cinema da cidade e do País. O que precisamos agora é trabalhar para dar vida novamente a esse patrimônio.”
Para Ana Cristina Costa, coordenadora do projeto Brasília Cinematográfica, o Pólo pode servir como cenário para importantes produções, como Rock Brasília, de Vladimir Carvalho, Faroeste Caboclo, de René Sampaio, e Somos tão Jovens, de Antônio Fontoura. O primeiro já está, inclusive, sendo filmado nas ruas da cidade. As gravações de Faroeste Caboclo e Somos tão Jovens tem previsão para começar em dezembro deste ano.