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Brasília

Sem salário, servidor recorre a empréstimo no BRB

Arquivo Geral

09/01/2015 7h25

Endividado e com o salário atrasado, Ádamo Leonardo, 38 anos, teve de apelar para empréstimos e vendas de produtos de casa. Ele é servidor do Governo do Distrito Federal (GDF) há 16 anos e, pela primeira vez, diz passar aperto. O jeito foi procurar maneiras de contornar as dívidas para os juros não acumularem e não virarem uma bola de neve. 

O caso não é isolado. Nas agências do Banco de Brasília (BRB), o que se viu ontem foi muita gente à procura de empréstimos e antecipação salarial, em vez de saques do pagamento, depositado tradicionalmente no quinto dia útil.

Só na Saúde e na Educação, mais de 117 mil pessoas estão sem receber. O GDF anunciou ontem que o salário dos servidores da Saúde vai entrar nas contas bancárias neste fim semana (leia mais na página 3). Já a situação professores e demais servidores da área  ainda é incerta. E os vencimentos das contas não esperam. 

“Quem paga o pato somos nós”, reclama Ádamo, que revelou   ter ido ao  BRB  para pegar o adiantamento do 13º salário que ainda não recebeu. No entanto, o montante que conseguiu não é suficiente. “Já estou vendendo as coisas de dentro de casa para pagar as contas atrasadas”, revela o servidor. 

Ele acumula débitos. “O mínimo do cartão de crédito foi pago, mas comprei uma cama nova contando com o dinheiro que sairia e agora a prestação está atrasada, assim como as contas de celular, água, luz e telefone”, lamenta.

Na conta, deveria ter o salário, tíquete e um acréscimo especial de fim de ano. “Não recebemos nada disso, nem vale-transporte ou auxílio combustível. Como viver desse jeito?”, questiona. 

Constrangimento

Allan Sousa já dedica 25 de seus 58 anos para o serviço púb lico de saúde do DF. “Em todo esse tempo, nunca vi isso acontecer”, assegura. Entre contas de casa, carro, cartões, cheque especial e mensalidade de faculdade, diz acumular uma dívida de cerca de R$ 20 mil. Não recebeu férias, salário, 13º salário ou benefícios e admite que, “como as dívidas vão acumulando, a saída vai ser apelar para o empréstimo”. 

“A gente que arca com os prejuízos, inclusive morais. É um absurdo, uma falta de respeito, sem falar no constrangimento de receber ligações de credores nessa situação e ter o cartão bloqueado por falta de pagamento. A gente faz o que pode, mas não é suficiente”, diz Allan. 

“Humilhação”

Para a professora Juliana Ribeiro, 32, o sentimento é de humilhação. “No mês passado já tivemos que pagar juros de cartão, luz, telefone. Neste mês  vem mais, porque não temos salário ainda e as contas atrasarão novamente”, diz. Até as férias tiveram de ser canceladas e a volta ao trabalho pode ocorrer sem o pagamento do direito, ela estima.

 Viagem de férias precisa  ser cancelada

As férias de Juarez dos Santos, 38, também já estavam marcadas. Junto com a família, passaria alguns dias em João Pessoa (PB) e já tinha até reservado a hospedagem. Sem o pagamento, teve de cancelar tudo, e ainda saiu no prejuízo. A carteira está vazia. “Ainda bem que sou controlado e não acumulei dívidas”, conta. O servidor já planeja o que fazer caso o pagamento saia: terá de priorizar algumas contas e jogar outras no cartão de crédito, para ter mais tempo para o pagamento.

A professora Juliana Ribeiro e Juarez ainda não pensam em empréstimos. “Quando a crise começou, pisamos no freio e controlamos bem as contas”, ele justifica. No caso dela, “vamos segurar até quando der, usando o próprio cartão de crédito, priorizando as contas. Meu filho precisa ir para a escola, por exemplo”.  

Opção é viável, diz BRB 

E se todos os servidores optarem por empréstimos, o banco consegue suprir as necessidades? O BRB diz que sim. Por meio de assessoria de imprensa, a instituição financeira afirmou que “dispõe de linhas de crédito para atendimento das necessidades de seus clientes, inclusive as de curto prazo”.

“Os gerentes já estão à disposição de todos os clientes e funcionários do GDF para apresentar as soluções de crédito. Também há linhas disponíveis nos terminais de autoatendimento, bem como no internet banking”, informou, destacando que o banco atualiza constantemente suas linhas de crédito, “de forma a disponibilizar as melhores soluções para seus clientes”.

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