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Brasília

Sem respeito

Arquivo Geral

15/07/2016 11h28

Que a tarefa era difícil, quase impossível, sabíamos todos. Mas é obrigação tentar, buscar, brigar. O tempo todo, até o fim. E isso, deve-se dizer, o São Paulo fez. Aliás, a torcida do São Paulo deve ficar orgulhosa do que seu time realizou: enfrentar a melhor equipe da Libertadores até agora, com um estádio lotado e todo aquele retrospecto… (não dá para esquecer os tempos de Pablo Escobar, não é mesmo?) Para completar, ainda houve a arbitragem. Tendenciosa, sim. Cínica, “preparada” (entendem como desejarem)…

Patrício Polic, o árbitro do Chile, estava visivelmente mal intencionado. E não é choro de perdedor ou “pachequismo”, não. Talvez um pouco do que acontece, hoje, esteja nas sensatas declarações de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, presidente do São Paulo. Quase sem que se pudesse perceber, no finzinho de sua fala após a partida, o cartola mor são-paulino afirmou que “talvez não queiram que o futebol brasileiro se firme no continente”. Exagero? Não. Devemos lembrar que nos últimos 20 anos (isso mesmo, duas décadas) em apenas cinco oportunidades não tivemos um time brasileiro na final da Libertadores. Desta cinco, os três últimos anos. Dá para entender alguma coisa?

Poderíamos chamar de “revolta dos mendigos”, sem ofensas, apenas para sinalizar o que pode estar acontecendo. A derrocada, ou melhor, o desrespeito ao futebol brasileiro começa com a queda de João Havelange e Ricardo Teixeira no cenário do futebol internacional. Os dois eram temidos, respeitados, causavam preocupação aos rivais. Escolham a melhor alternativa. Desde que se afastaram… Como acompanho de perto os bastidores do futebol continental, soube que, com Nicolas Leoz e Julio Grondona no poder, as punições eram decididas praticamente em conversas de botequim.

“O time tal? O presidente é nosso amigo… Multe em dez mil dólares e pronto…”; “contra aquele safado e seu time vamos agir com rigor… multa de cem mil dólares e portões fechados nas próximas três partidas”. As decisões eram tomadas assim – e o tribunal, ou sabe-se lá quem definia as penas, apenas assinava. E o futebol sul-americano vivia desta forma. Repito: respeitava-se, temia-se, o Brasil. Pela força de seus dirigentes. Claro que a qualidade dos times importava. Pergunto, porém: em que este time do São Paulo perde em qualidade, por exemplo, para o Internacional de 2006? Ou até para o Corinthians de 2012?

Não há o que discutir no pênalti marcado contra o São Paulo. Carlinhos abriu, sim, demais a “asa”. Aumentou, com o braço esticado, a área de seu corpo. A bola bateu em seu braço, pênalti. Simples assim. Mas… E o pênalti clamoroso, escandaloso, em cima de Hudson no último lance do primeiro tempo? Se fosse para o vestiário em vantagem, o São Paulo teria 45 minutos para marcar um gol e classificar-se. A tensão tomaria conta dos jogadores do bom time do Atlético Nacional. A torcida ficaria preocupada… O árbitro, porém, ignorou. E tanto sabe que estava errado que não deu cartão para nenhum são-paulino, apesar de ter ouvido “um monte” dos jogadores na sequência do lance e na ida para o intervalo. Ali o jogo se definiu. Não vou nem falar da confusão na hora das expulsões porque aquilo foi um circo.

Como disse, concordo, em parte, com a fala do presidente do São Paulo. Não diria que querem impedir que o futebol brasileiro se firme. Digo, sem medo de errar, que há um trabalho muito bem feito (e nossa incompetência está ajudando) para desvalorizar a importância do futebol brasileiro no cenário continental. Há quanto tempo não vemos um errinho que seja (e, por favor, não entendam esta frase como um pedido de ajuda à arbitragem) a favor do Brasil? Na dúvida, é contra. E isso irrita os jogadores. E isso mina a capacidade de realizar jogadas. E isso pode fazer a diferença na hora de classificar-se para a Copa do Mundo na Rússia, em 2018.

Somos uma enorme ilha de português cercada pelo espanhol por todos os lados onde há terra – faço aqui uma metáfora utilizando os idiomas. Claro está que, num momento, depois de anos e anos de “dominação”, os “menores” se unam contra o “gigante”. E se perde o respeito. E acontece tudo o que vimos na noite de quarta-feira. Lembrando, claro, sempre, que nada disso teria acontecido (ou será que teríamos visto coisa pior?) se o São Paulo tivesse jogado no Morumbi o que jogou em Medellín. Quem quer respeito precisa fazer-se respeitar. Essa também é uma regra clara.

 

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