Jurana Lopes
Especial para o Jornal de Brasília
Muitos pacientes têm enfrentado problemas ao precisar fazer cirurgia na rede pública de saúde do Distrito Federal. Os motivos que fazem com que um procedimento seja adiado são muitos: variam desde a prioridade para casos de emergência até a falta de materiais essenciais. Brasilienses denunciaram o problema novamente ao JBr., desta vez via Whatsapp.
Preocupado com a situação da mãe, o secretário Michael de Jesus, 28 anos, procurou ajuda na Defensoria Pública do DF, que ajuizou ação para que a cirurgia da aposentada Maria das Graças de Jesus, 61 anos, seja feita o quanto antes. A mãe dele caiu e sofreu uma fratura no braço, próxima ao ombro. Como a lesão foi grave, ela ficou internada no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) à espera de cirurgia. A aposentada aguarda pela operação desde 17 de abril.
Cancelamento
De acordo com Michael, os médicos marcaram a cirurgia para o último dia 6. Mas, quando Maria foi para o centro cirúrgico, cancelaram a operação, alegando falta de material e da placa necessária para o procedimento, mesmo a cirurgia sendo considerada de urgência.
Após contato com a Secretaria de Saúde, Michael descobriu que, no Hospital de Planaltina, teria a placa, mas faltavam os parafusos. Segundo ele, a cirurgia agora está marcada para a próxima sexta-feira, mas ele teme novos imprevistos.
“A ouvidoria da secretaria me informou que a placa foi comprada e que só estão esperando o material chegar no HRSM. Mas tenho medo de atrasar e adiarem novamente, porque fui informado que essa cirurgia só é feita nos hospitais de Santa maria e de Planaltina. O médico disse que é preciso operar o quanto antes para evitar que o osso saia do lugar, mas já vai fazer um mês que ela está internada”, relata.
Por meio de nota, a Secretaria de Saúde informou que o material (placa bloqueada para úmero proximal) está em falta no Hospital Regional de Santa Maria, mas não em toda a rede. Para essa unidade, o processo de compra está em andamento. A secretaria alegou que a falta da placa em uma unidade não implica cancelamento de cirurgias, porque é possível buscá- la em outro hospital. No entanto, não soube informar porque a cirurgia de Maria foi cancelada.
Demora resulta em círculo vicioso
O pastor Aparecido de Oliveira, 62 anos, está com o nome na fila de espera do Hospital de Base (HBDF) para fazer uma cirurgia de catarata. Fez todos os exames e ficou aguardando o chamarem. Porém, demorou tanto que os exames venceram e, quando o esperado momento chegou, ele não pôde realizar o procedimento cirúrgico. Agora, Aparecido está fazendo novos exames e voltou para a fila de espera da cirurgia oftalmológica.
Questionada sobre a quantidade de pessoas nas filas de espera por cirurgias, a Secretaria de Saúde informou que não há como informar a situação, “pois cada especialidade (são muitas) possui uma fila de espera. Dessa forma, não é possível informar uma a uma”.
Remédios
A população também tem reclamado da falta de medicamentos. A aposentada Ana Moraes, 73 anos, precisou fazer um exame que retira um pouco de líquido da coluna. Para o procedimento, era necessário o uso do anestésico Xilocaína, que estava em falta. Como o exame era emergencial, ela foi obrigada a comprar o medicamento.
“Nas duas vezes que precisei fazer esse exame, estava faltando Xilocaína e tive que comprar e levar para o hospital. Ainda bem que é um medicamento que não custa tão caro. Mas, mesmo assim, há quem não tenha dinheiro para pagar”, afirma.
A Secretaria de Saúde informou que, ao assumirem a pasta, os gestores a encontraram com mais de 300 medicamentos com estoque zerado. Atualmente, aproximadamente 70 medicamentos ainda estão em falta. No entanto, todos estão em processo de aquisição.