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Brasília

Sem atendimento em hospital público, jovem faz vaquinha online para ajudar a mãe

Arquivo Geral

15/02/2017 7h00

Foto: Arquivo Pessoal

Lucas Campelo
redacao@jornaldebrasilia.com.br

A estudante Anna Emanuella de Freitas Camargos, 23 anos, resolveu criar uma vaquinha virtual para ajudar a pagar contas do tratamento médico da mãe, a autônoma Jaíne Aparecida de Freitas Camargo, 44 anos. A mulher sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no dia 26 de janeiro e não conseguiu atendimento urgente e específico na rede pública. A solução foi recorrer a um hospital particular. Agora, a família precisa quitar dívida com cirurgia e diárias na UTI. O valor já chega a R$ 150 mil e pode aumentar, já que a paciente continua internada.

Os sintomas do AVC surgiram enquanto Jaíne estava em casa. Era a noite e ela dormia. A família recorreu ao Hospital Regional de Taguatinga, onde mora. “Não temos plano de saúde. Por isso, levamos a minha mãe para o hospital mais próximo, mas estava um caos”, relembra a filha Anna.

Outra vaquinha

  • No início do mês, o JBr. mostrou o caso de Nathália Sousa Meireles, 18, que também precisa fazer cirurgia, mas para retirar um tumor no globo ocular esquerdo. Ela também começou uma vaquinha virtual e, até ontem, havia atingido 76% da meta, arrecadando R$ 22,9 mil dos R$ 30 mil necessários. Saiba com ajudá-la aqui.

Ali, a autônoma conseguiu apenas um exame e não teria tido auxílio adequado. “Eu e meu pai tivemos que levar a minha mãe no colo para a mesa de tomografia. Médicos e pacientes estavam se virando como podiam”, critica.

Anna também relatou que a própria médica plantonista do hospital sinalizou que ali o tratamento necessário não poderia ser prestado. “Ela disse que, se a gente quisesse salvar a vida da minha mãe, era preciso tirá-la de lá e tentar o atendimento urgente em algum hospital particular”, conta. Para não perder tempo, a mulher foi levada para o Hospital Anchieta.

De acordo com a família, na rede particular Jaíne recebeu atendimento clínico para avaliar as condições de saúde e foi submetida a duas cirurgias. A primeira para retirar um coágulo de sangue formado no cérebro, e a segunda, para remover parte do crânio e evitar que o AVC se espalhasse pela cabeça. Só essa parte chegou a R$ 20 mil.

A mulher ficou internada na UTI por 18 dias. Após o período, ela pôde seguir o tratamento no quarto, e atualmente, respira com ajuda de aparelhos.

Sequelas do acidente

Segundo Anna, a cirurgia da mãe deixou sequelas, típicas de casos de AVC. “Ela não consegue falar nem comer sozinha. A articulação do braço direito também ficou comprometida. Vamos ter que ensinar tudo de novo”, explica a filha, que está esperançosa com a recuperação da mãe.

Além dos médicos neurocirurgiões, a mulher recebe atendimento de uma equipe formada por enfermeiro, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e dentista. “Agora, ela só precisa se recuperar um pouco mais para poder retirar a sonda. Vamos aguardar a evolução pessoal dela”, diz a jovem.

Serviço

Para quem colaborar e ajudar a arcar com as despesas hospitalares, basta contribuir com a vaquinha on-line, ou por meio de transferência bancária. Para mais informações sobre o número da conta, acesse o site clicando aqui. Até ontem haviam sido arrecadados R$ 28 mil (14% da meta de R$ 200 mil).

Versão oficial

A família diz que o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) não disponibilizou o atendimento necessário, uma vez que o quadro exigia cirurgia de urgência. Procurada pelo JBr., a Secretaria de Saúde não prestou detalhes sobre esse caso específico. Por e-mail, informou que existem dois tipos de AVC. O primeiro é o AVC isquêmico, em que o paciente só é operado em casos especiais, quando tem aumento da pressão no cérebro. O segundo é o hemorrágico, quando a cirurgia é feita de urgência, no momento em que o paciente chega ao hospital. Nos casos em que é possível aguardar, eles esperam nas salas vermelha ou amarela, conforme a gravidade.

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