
Após dois dias de exaustivas reuniões e mudanças na pauta de reivindicações, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários (Sindmetrô) não chegaram a um acordo para pôr fim à greve dos metroviários. Por conta do impasse, a decisão sobre a legalidade da greve pode ficar nas mãos da Justiça. Por enquanto, neste fim de semana, o metrô funciona normalmente.
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 10ª Região abriu prazo de 24 horas para que o sindicato apresente defesa do dissídio coletivo de greve. O Sindmetrô marcou para amanhã assembleia que pretende discutir se eles retomam ou não a paralisação.
A audiência de ontem, intermediada pelo desembargador e presidente do TRT, André Damasceno, foi o terceiro encontro entre as partes e teve início às 10h30 da manhã e só terminou por volta das 18h. Após o sindicato apresentar defesa, o documento vai para o Ministério Público do Trabalho (MPT), que analisará o caso e o devolverá ao TRT. Caso as partes não cheguem a um acordo antes disso, a legitimidade da greve será debatida no judiciário que vai emitir pareceres sobre cada item do processo.
“O GDF evoluiu muito nas propostas oferecidas à categoria. Oferecemos um aumento da quebra de caixa de 70 para 110 bilhetes, previdência complementar a partir de março de 2015 e além disso pagamos os cinco dias em que ele ficaram sem trabalhar”, enumerou o secretário de Estado de Administração Pública, Wilmar Lacerda.
Injustificável
Ele diz, porém, que a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas é injustificável. “Estamos abrindo concurso para recompor o quadro de funcionários, seria um retrocesso e um descaso com o atendimento ao público, que mais uma vez sofre com essa situação”, pontuou Lacerda.
Pelo jeito, greve continua…
A diretora do Sindmetrô, Tânia Aparecida Viana, afirmou que se as negociações seguirem do jeito que estão, a retomada da greve na segunda-feira será inevitável por parte dos metroviários. “Já são mais de 90 dias de negociações e infelizmente não vemos o Metrô discutir nossas principais reivindicações. Temos um quadro defasado de funcionários e condições de trabalho que não condizem com a realidade”, disse.
De acordo com a diretora, “a categoria está revoltada” e apoiando as decisões do sindicato. “Ao término da audiência de hoje (ontem) a classe presente se levantou e foi embora, um sinal nítido de que não estão nada satisfeitos. Sequer conversaram entre eles.”
Desde que a greve dos metroviários se instalou, vários protestos se espalharam pelo DF. As mais violentas foram registradas em Ceilândia e Taguatinga.
Sem acordo, caso parou na Justiça
Para o secretário de Administração Pública, Wilmar Lacerda, a luta passa a ser não só da sociedade e do governo, mas também do TRT. “Não gostaríamos que isso chegasse ao ponto de ter uma intervenção judicial, mas mesmo atendendo a todas as reivindicações, não conseguimos pôr fim à greve. Fica difícil não deixar nas mãos da Justiça.”
Na segunda reunião, Metrô-DF e Sindmetrô haviam chegado a um acordo para suspender a greve por 48 horas e retomar os serviços com 100% dos funcionários desde que o GDF se comprometesse a não descontar da folha de pagamento os dias não trabalhados.
Numa primeira conversa, a categoria rejeitou contraproposta do Metrô-DF que propunha reajuste salarial linear, a partir de 1º de abril, com a aplicação do INPC acumulado entre 1º de abril de 2013 e 31 de março de 2014.
Saiba Mais
A greve teve início na sexta-feira retrasada e afetou ao menos 140 mil pessoas no Distrito Federal.
Os metroviários reivindicam reajuste salarial de 10%, redução da jornada de trabalho de 8h para 6h, previdência complementar e aumento da quebra de caixa de bilheteria.