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Brasília

Seleção para prefeitura exige que candidato carregue sacos de cimento e carrinhos de areia

Arquivo Geral

22/02/2013 7h06

Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

 

 

A prova prática para o cargo de operador de serviços gerais da prefeitura de Planaltina de Goiás vem gerando intensa controvérsia. Para se habilitar ao cargo, é obrigatório ao candidato carregar sacos de cimento, que pesam em torno de 50kg, e transportar carrinhos de mão cheios de areia por 30 metros no menor tempo possível.

 

Algumas pessoas reclamaram dos exercícios e classificaram o teste como uma forma “humilhação”.
É o caso de Lucineide Lopes da Silva, 42 anos, que prestou a prova prática do concurso: “Achei que fosse uma coisa diferente. A gente como mulher… É ruim fazer um serviço assim, né?”

 

Apesar de o prefeito, assustado com a repercussão do caso, ter afirmado que os exames não seriam mais aplicados, a modalidade de teste foi mantida. Mas a prefeitura afirma que não há irregularidades no teste aplicado.

 

Mão de obra

O secretário de Trânsito do município e também responsável pela aplicação do teste físico, Francisco Badu, afirmou que tudo foi feito visando a seleção daqueles melhores adaptados à função. “Precisamos de mão de obra qualificada. Não fizemos nada que o candidato não vai precisar realizar durante o serviço”, garantiu.

 

Denise Pereira, 49 anos, se conformou com as dificuldades e agora espera os resultados. “Tudo na vida é difícil. A gente fez porque quis. Ninguém nos obrigou a nada”, afirmou ela.

 

Para o presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Ernani Pimentel, se o exercício da profissão exige determinado desempenho, o candidato pode ser testado nesse desempenho. Mas, segundo ele, é preciso que isso seja esclarecido antes da realização dos testes. No edital do concurso está escrito que o aprovado deverá  “transportar e carregar materiais” e “conduzi-los aos respectivos depósitos”. “A lei do concurso diz que quando se inscreve no concurso, se está automaticamente aceitando o edital. Se era previsto esse tipo de prova, então o candidato não pode reclamar”, explicou Ernani.

 

A prefeitura reafirmou que tudo foi realizado dentro da legalidade, mas que quem se sentiu prejudicado pode recorrer à Justiça.

 

Outro motivo de críticas foi a falta de um profissional qualificado no momento da realização dos testes. Não havia professores de educação física ou assistência médica. Francisco Badu argumentou que, no almoxarifado da prefeitura, havia macas à disposição de eventuais feridos e completou: “Já examinamos 1.031 pessoas e ninguém se machucou”, informou.

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