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Brasília

Seis mil servidores da UnB recebem salários reduzidos

Arquivo Geral

01/04/2010 20h06

Podia ser mais uma mentira contada nesse 1º de abril. Mas não foi. Os cerca de 6 mil servidores da Universidade de Brasília tiveram a confirmação do corte salarial imposto pelo Ministério do Planejamento (MPOG) nesta quinta-feira. O depósito dos salários dos servidores da UnB revelou que 1.100 não receberam nenhum valor relativo à URP, que corresponde a 26,05% do total recebido. O MPOG deve rodar folha suplementar para repor o prejuízo até 8 de abril.

Não houve quem escapasse do corte. O secretário de Recursos Humanos da UnB, Afonso de Sousa, explica que os servidores contratados a partir de outubro de 2008 não receberam um centavo da parcela assegurada por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). “Todos os mais antigos tiveram cortes. Quanto mais recente a contratação, maior o prejuízo”, comentou Afonso.

Após pressão da ministra Cármen Lúcia, responsável pelo documento que determina a continuidade do pagamento da URP para todos os professores da UnB até o julgamento do caso, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que o órgão deve rodar uma folha suplementar para repor a redução entre os dias 6 e 8 de abril. “Esperamos o pagamento integral, como a Justiça manda”, observou Cosmo Balbino, coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação UnB.

A folha extra, no entanto, só deve ser rodada depois do parecer técnico da Advocacia Geral da União sobre a liminar do STF, o que deve ocorrer até a próxima segunda-feira, 5 de março. “O MPOG e a UnB têm interpretações diferentes do documento. O parecer tem força executória e vai respaldar a forma correta de pagamento. Confiamos em uma decisão favorável a nós”, disse o professor Flávio Botelho, presidente da Associação de Docentes da UnB.

PREJUÍZOS – José Geraldo Ribeiro e Morgana Rodrigues são casados. Os dois são servidores da UnB. Juntos, perderam cerca de R$ 1 mil no orçamento mensal, após o corte nos salários de março. “Tivemos uma triste notícia ao receber os contracheques. Para nós, é um prejuízo considerável”, contou o funcionário do Serviço de Compras Internacionais. “Isso porque não cortaram tudo. Imagina se o governo tirar toda a URP. Não sabemos o que fazer”, completou o servidor.

Como resposta às ameaças ao corte salarial, o Comando de Greve vai intensificar suas atividade a partir da próxima segunda-feira. Uma das novidades são as reuniões itinerantes. “Vamos rodar toda UnB. Na segunda mesmo vamos ao Centro de Informática (CPD) conscientizar as pessoas que ainda não aderiram à greve sobre a gravidade da situação que vivemos”, adiantou Cosmo. Uma agenda de manifestações pela cidade também deve ser divulgada no início da semana.

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