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Brasília

Segurança pública: o perigo está nas facções

Arquivo Geral

24/04/2013 9h15

 

Especialistas dizem não haver consenso sobre a definição de terrorismo. Contudo, segundo o dicionário, a palavra significa “devastar, saquear, explodir bombas, sequestrar, incendiar, depredar ou praticar atentado pessoal ou sabotagem, causando perigo efetivo ou dano a pessoas ou bens,  com emprego da força ou violência”. Com base nisso, o oficial de inteligência Paulo de Tarso  Paniago acredita que o maior perigo no País são as facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo. 

 

“Ignorar a existência e atuação de células terroristas no Brasil  pode ser muito perigoso. O governo   deve  atuar para identificar e destruir qualquer ameaça ao Estado”, avaliou.

 

Nessa perspectiva, os traficantes que antes comandavam comunidades pacificadas no Rio de Janeiro, por exemplo, representariam uma ameaça. No entanto, a pacificação tem se mostrado eficaz.

 

“Olhando sob o prisma do terrorismo clássico, constatamos que o crime brasileiro ainda tem foco centrado na atividade econômica do comércio de drogas. Traficantes possuem dinheiro para adquirir praticamente quaisquer armas ou equipamentos dos quais necessitem”, apontou o consultor em segurança Vinicius Domingues. 

 

Ele lembrou que já foram encontrados, em favelas do Rio de Janeiro, lançadores de foguete M-72 de 66mm, de fabricação americana. 

 

REUNIÃO

  Não é à toa que, logo após o atentado de Boston, o Ministério da Defesa  convocou uma reunião  a para saber como estavam os preparativos  para a Copa das Confederações, marcada para junho próximo, e na Copa do Mundo, no ano que vem. 

 

 As atenções se voltaram para a Brigada de Operações Especiais,  com base em Goiânia,  responsável pelas ações antiterrorismo. Trata-se de uma tropa de elite com cerca de 1,2 mil homens.

 

 O grupo foi treinado para atuar em situações extremas. É a tropa brasileira que mais se assemelha aos Seals, a unidade de elite da Marinha americana que matou Osama bin , líder da al-Qaeda. 

  

O general José Carlos De Nardi, chefe do Estado-Maior do conjunto do Ministério da Defesa, admite que os atentados em Boston serviram para que o Brasil ficasse ainda mais atento à segurança. “O Brasil está se preparando bem. Temos mandado nosso pessoal para acompanhar importantes eventos e ganhar experiência”, afirma. 

 

Para o Ministério Público Federal (MPF), porém, isso está bem longe de ser o suficiente. No final do ano passado, o MPF requisitou de todos os órgãos públicos envolvidos na Copa das Confederações  um resumo das medidas tomadas. Rio Grande do Norte, Paraná, DF e Amazonas não responderam.

 

 

 O Exército ainda deve um balanço das medidas tomadas até agora. As polícias Federal e Rodoviária Federal enviaram   explicações genéricas, com relação à liberação de verbas. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) informou ter firmado um Termo de Cooperação Técnica para a implementação do Projeto Arena, destinado à avaliação de monitoramento de riscos.

 

 À frente de um grupo de trabalho   para acompanhar as medidas e os gastos para garantir a segurança nas copas, o procurador da República José Roberto Pimenta se mostra preocupado: “Considerando que a Copa das Confederações será agora e que ela integrava todo esse planejamento, é manifesto que as providências estão atrasadas”, diz.

 
Para o consultor em segurança Carlos Alberto Camargo, “seria leviano não considerar a possibilidade de um ataque terrorista, já que a própria história ensina que muitos atentados, antes de executados, poderiam ser considerados hipóteses remotas ou mesmo absurdas”. 
 
 
Como exemplo, o especialista lembrou os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, quando, na madrugada de 5 de setembro, cinco árabes do grupo terrorista Setembro Negro invadiram a Vila Olímpica, mataram dois integrantes da equipe de Israel e fizeram nove reféns. No total, foram 11 mortos. Em Atlanta, em 1996, um atentado durante os Jogos Olímpicos deixou dois mortos e 112 feridos.
 
 
 A menos de dois meses para a Copa das Confederações, que deve reunir nada menos que 70 mil torcedores durante a abertura, no Mané Garrincha, apenas em Brasília, o especialista Igor Pipolo acredita que o País ainda não está preparado para possíveis imprevistos. “Temos serviços de inteligência, mas não acho que estejam aparelhados”, diz.
 
 
 O descrédito do consultor de segurança é fundamentado em dois fatores. O primeiro é a liberdade com que atuam os traficantes. “Não conseguimos resolver  os problemas internos de segurança, que já são velhos conhecidos”, lembrou. O segundo ponto é a falta de integração entre os órgãos de inteligência. 
 
 
 
 No Ministério da Justiça,  foi criada uma Secretaria Extraordinária de Segurança para os Grandes Eventos (Sesge), responsável por organizar as ações de segurança. Entre as responsabilidades estão proteger aeroportos, estradas, portos, rede hoteleira, locais de exibições públicas, pontos turísticos e colaborar nos estádios.
 
 
 Para tanto, até a Copa de 2014 contará com   R$ 1,2 bilhão de orçamento para comprar equipamentos. Além disso, o Ministério da Defesa tem um orçamento de R$  768 milhões para, por exemplo, garantir proteção ao espaço aéreo, à área marítima e hidroviária, a usinas hidrelétricas, a subestações de energia e às fronteiras.
 
 
Um orçamento considerado modesto. Para se ter uma ideia, durante os Jogos Olímpicos de Londres, no ano passado, os gastos com segurança superaram  R$ 3,2 bilhões. A cidade foi alvo de extremistas em 2005, quando 52 pessoas morreram em ataques suicidas contra o sistema de transporte público.
 

 

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