Especialistas dizem não haver consenso sobre a definição de terrorismo. Contudo, segundo o dicionário, a palavra significa “devastar, saquear, explodir bombas, sequestrar, incendiar, depredar ou praticar atentado pessoal ou sabotagem, causando perigo efetivo ou dano a pessoas ou bens, com emprego da força ou violência”. Com base nisso, o oficial de inteligência Paulo de Tarso Paniago acredita que o maior perigo no País são as facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo.
“Ignorar a existência e atuação de células terroristas no Brasil pode ser muito perigoso. O governo deve atuar para identificar e destruir qualquer ameaça ao Estado”, avaliou.
Nessa perspectiva, os traficantes que antes comandavam comunidades pacificadas no Rio de Janeiro, por exemplo, representariam uma ameaça. No entanto, a pacificação tem se mostrado eficaz.
“Olhando sob o prisma do terrorismo clássico, constatamos que o crime brasileiro ainda tem foco centrado na atividade econômica do comércio de drogas. Traficantes possuem dinheiro para adquirir praticamente quaisquer armas ou equipamentos dos quais necessitem”, apontou o consultor em segurança Vinicius Domingues.
Ele lembrou que já foram encontrados, em favelas do Rio de Janeiro, lançadores de foguete M-72 de 66mm, de fabricação americana.
REUNIÃO
Não é à toa que, logo após o atentado de Boston, o Ministério da Defesa convocou uma reunião a para saber como estavam os preparativos para a Copa das Confederações, marcada para junho próximo, e na Copa do Mundo, no ano que vem.
As atenções se voltaram para a Brigada de Operações Especiais, com base em Goiânia, responsável pelas ações antiterrorismo. Trata-se de uma tropa de elite com cerca de 1,2 mil homens.
O grupo foi treinado para atuar em situações extremas. É a tropa brasileira que mais se assemelha aos Seals, a unidade de elite da Marinha americana que matou Osama bin , líder da al-Qaeda.
O general José Carlos De Nardi, chefe do Estado-Maior do conjunto do Ministério da Defesa, admite que os atentados em Boston serviram para que o Brasil ficasse ainda mais atento à segurança. “O Brasil está se preparando bem. Temos mandado nosso pessoal para acompanhar importantes eventos e ganhar experiência”, afirma.
Para o Ministério Público Federal (MPF), porém, isso está bem longe de ser o suficiente. No final do ano passado, o MPF requisitou de todos os órgãos públicos envolvidos na Copa das Confederações um resumo das medidas tomadas. Rio Grande do Norte, Paraná, DF e Amazonas não responderam.
O Exército ainda deve um balanço das medidas tomadas até agora. As polícias Federal e Rodoviária Federal enviaram explicações genéricas, com relação à liberação de verbas. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) informou ter firmado um Termo de Cooperação Técnica para a implementação do Projeto Arena, destinado à avaliação de monitoramento de riscos.
À frente de um grupo de trabalho para acompanhar as medidas e os gastos para garantir a segurança nas copas, o procurador da República José Roberto Pimenta se mostra preocupado: “Considerando que a Copa das Confederações será agora e que ela integrava todo esse planejamento, é manifesto que as providências estão atrasadas”, diz.
Para o consultor em segurança Carlos Alberto Camargo, “seria leviano não considerar a possibilidade de um ataque terrorista, já que a própria história ensina que muitos atentados, antes de executados, poderiam ser considerados hipóteses remotas ou mesmo absurdas”.