O atentado à maratona de Boston, nos Estados Unidos, acendeu o sinal de alerta no Brasil, que até 2016 vai receber grandes eventos. Dois deles serão neste ano: a Copa das Confederações e Jornada da Mundial da Juventude, encontro católico com a presença do Papa Francisco. Além disso, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 pedem reforço no policiamento. A pergunta que todos fazem é: o País tem condições de oferecer segurança para os mais de 70 milhões de participantes dos eventos? O perigo pode estar em qualquer lugar, como em um pacote abandonado na rua.
Sexta maior economia do mundo, o Brasil está no ranking das nações mais violentas: em 20 anos, o número de assassinatos aumentou 237%, segundo a Unesco. Por aqui também, drogas e armas driblam a fiscalização das fronteiras.
Mas há uma grande diferença entre um simples homicídio e um atentado: o objetivo do terrorista é espalhar o medo nos que ficam e não apenas liquidar um desafeto. Qualquer lugar pode ser o alvo. E quanto mais gente melhor.
Levando em consideração que o Brasil vai receber delegações de várias partes do mundo e não tem histórico terrorista – o que cria uma falsa tranquilidade – especialistas apontam, sim, que é possível ocorrer um atentado ao país do futebol. Isso se torna uma possibilidade maior porque, ao contrário dos EUA, aqui não há planejamento para garantir a ineficiência de ataques.
“Não se trata apenas de policiamento, e sim, de um grande sistema que envolve Forças Armadas, Judiciário, polícias, Legislativo, Educação, Executivo, infraestrutura, entre outros tantos setores. Podemos até nos preparar para atender as crises, mas preveni-las será o X da questão”, avalia o especialista em segurança pública de grandes eventos, Igor Pipolo.
Segundo o consultor em segurança Carlos Alberto Camargo, o atentado de 11 de setembro alterou o equilíbrio das relações internacionais, criando um cenário de fragilidade. E para quem acredita que um atentado está longe de ocorrer no País, ressalta o especialista, o massacre na escola de Realengo ilustra bem a fragilidade. Em abril de 2011, Wellington Menezes, de 23 anos, invadiu o colégio Tasso da Silveira armado, matando 12 crianças.