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Brasília

Segundo ciclo de defesas do mestrado indígena começa nesta terça-feira

Arquivo Geral

29/01/2013 12h28

Pela segunda vez em menos de um mês, o diálogo entre os saberes acadêmicos e indígenas terá espaço privilegiado na Universidade de Brasília: entre terça-feira, 29 de janeiro, e sexta-feira, 1º de fevereiro, a programação do segundo ciclo de defesas públicas do Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Indígenas irá ocupar o Bloco C do Centro de Excelência em Turismo (CET), no campus Darcy Ribeiro da UnB. Esta primeira turma – que encerra o curso agora e contou com 14 estudantes indígenas e 12 não-indígenas – apresentou o primeiro ciclo de defesas do último mês de dezembro (leia mais aqui). Um terceiro ciclo será realizado na primeira semana de fevereiro.

 

O Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Indígenas foi criado em 2010 pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da UnB e foi o primeiro no Brasil a se dedicar exclusivamente a temáticas do universo indígena, a reservar 50% de suas vagas a estudantes indígenas e a incluir entre seus docentes professores de diferentes etnias. O programa forma agora os seus primeiros profissionais indígenas e não-indígenas, qualificando-os para atuar em atividades técnico-científicas e de inovação no campo indigenista. O curso se baseia em princípios da educação intercultural, que se realiza por meio do diálogo entre os saberes acadêmicos e indígenas e da interdisciplinaridade. Saiba mais aqui.

 

Neste segundo ciclo, os trabalhos apresentados por estudantes não-indígenas e por indígenas e caciques das etnias Baré (Amazonas), Paiter Suruí (Rondônia), Xavante (Mato Grosso), Kaingang (Rio Grande do Sul), Guarani (Mato Grosso do Sul), Baniwa (Amazonas), Pantamona (Roraima), Bakairi (Mato Grosso) abordam variados aspectos da temática indígena – do etnodesenvolvimento à sustentabilidade, da educação escolar à interface entre práticas de saúde tradicionais a estes povos com o sistema oficial de saúde no Brasil.

 

A variada programação do segundo ciclo de defesas começa nesta terça-feira, às 19h, com a dissertação O diálogo intercultural que nasceu no espaço da Maloca: relato da experiência dos cursos técnicos de nível médio em etnodesenvolvimento e em desenvolvimento sustentável indígena no alto rio Negro, da estudante Francinete Soares Martins, da etnia baré – que ocupa uma enorme região no extremo oeste da Amazônia, na fronteira com Colômbia e Venezuela, em que há uma grande diversidade de diferentes povos indígenas. “Esta pesquisa demonstra o grau de aplicabilidade dos trabalhos que foram desenvolvidos”, diz a antropóloga Mônica Nogueira, coordenadora pedagógica do Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Indígenas, professora do CDS e da Faculdade UnB Planaltina.

 

Na quarta-feira, a partir de 9h, a estudante da etnia bakairi Isabel Taukane apresenta Na Trilha dos Kura-Bakairi: de mulheres árvores ao associativismo do Instituto Yukamaniru. Segundo a professora Mônica Nóbrega, a pesquisa analisa o protagonismo feminino nos processos de reflorestamento na Terra Indígena Bakairi. Em seguida, o estudante Erlon Fábio de Jesus Costa defende a dissertação Da Corrida de Tora ao Poranci: a permanência histórica dos Tupinambá de Olivença no Sul da Bahia. “O povo Tupinambá já foi dado com extinto – mas esta pesquisa demonstra sua resistência cultural no município de Olivença, no sul da Bahia”, diz a coordenadora.

 

No mesmo dia, a partir de 14h, o aluno Chicoepab Suruí apresenta Reflorestamento da Terra Indígena Sete de Setembro: uma mudança da percepção e da conduta do Povo Paiter Suruí de Rondônia?. “Este estudante trabalha na associação Metareilá – do conhecido líder indígena Almir Suruí –, e em sua pesquisa ele avalia o reflorestamento na Terra Indígena Sete de Setembro, evidenciando as tensões que decorrem desta iniciativa”, explica Mônica.

 

Na sequência, a estudante não-indígena Sayonara Oliveira da Silva defende Alimentos, restrições e reciprocidade no ritual Xavante do Wapté mnhõno (Terra Indígena Marãiwatsédé, Mato Grosso). De acordo com a professora Mônica, a dissertação aborda “a dieta ritual dos Xavantes para a inserção dos jovens na vida adulta, colocada em xeque pela intrusão em seu território”.

 

No mesmo dia, às 19h, a estudante não-indígena Ana Blaser apresenta Vivências e Convivências na Aldeia Mrotidjã: uma análise dos processos da educação escolar Xikrin. “Esta aluna reflete sobre a educação escolar Xikrin – uma etnia que está sob impacto direto da implantação da hidrelétrica de Belo Monte –, preocupados em se apropriar dos conhecimentos não-indígenas em benefício de sua cultura e território”, diz a professora.

 

Na quinta-feira, 31, às 9h, a estudante Verônica Aldé defende a dissertação Sustentando o Cerrado na Respiração do Maracá: conversando com os Mestres Krahô – no qual a aluna, musicista, “colhe e analisa os belíssimos cantos de mestres Krahô para revelar a percepção deste povo sobre a sustentabilidade, no sentido mais amplo da palavra”, segundo a professora.

 

Às 14h, a estudante Maria Elenir Neves Coroaia – profissional indígena que trabalha na Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde – apresenta Reflexões sobre as práticas kaingang de cuidados com a gestação, parto e pós-parto e suas interfaces com o sistema oficial de saúde. O título é autoexplicativo. “Nossa expectativa é que estudos como este possam incidir sobre políticas públicas relevantes”, diz Mônica Nóbrega.

 

Na sexta-feira, às 9h, a estudante Xavante Samantha Ro’otsitsina de Carvalho Juruna defende Sabedoria Ancestral em Movimento: perspectivas para a sustentabilidade. “Esta aluna trabalha ativamente na organização do movimento nacional de jovens indígenas – e o trabalho dela é ouvir lideranças mais velhas a respeito deste movimento no passado, num rico diálogo intergeracional”, explica a professora.

 

Às 14h, a estudante não-indígena Maria das Graças Oliveira de Figueiredo encerra  este segundo ciclo de defesas com  a dissertação “Proposta de Plano de Curso para a Formação Técnica dos Agentes Indígenas de Saúde do DSEI Cuiabá”. Segundo a coordenadora do Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Indígenas, a aluna “formula a proposta de um curso técnico para agentes indígenas neste Distrito de Saúde Especial Indígena de Cuiabá –atenta aos desafios da interculturalidade, considerando as práticas tradicionais de saúde dos indígenas, muito diferentes das nossas”.

 

Todas as defesas estarão abertas ao público.


PROGRAMAÇÃO

TERÇA-FEIRA, 29 de janeiro

19h – Francinete Soares Martins: “O diálogo intercultural que nasceu no espaço da Maloca: relato da experiência dos cursos técnicos de nível médio em etnodesenvolvimento e em desenvolvimento sustentável indígena no alto rio Negro”


QUARTA-FEIRA, 30 de janeiro

9h – Isabel Taukane: “Na Trilha dos Kura-Bakairi: de mulheres árvores ao associativismo do Instituto Yukamaniru”

9h – Erlon Fábio de Jesus Costa: “Da Corrida de Tora ao Poranci: a permanência histórica dos Tupinambá de Olivença no Sul da Bahia”

14h – Chicoepab Suruí: “Reflorestamento da Terra Indígena Sete de Setembro: uma mudança da percepção e da conduta do Povo Paiter Suruí de Rondônia?”

14h – Sayonara Oliveira da Silva: “Alimentos, restrições e reciprocidade no ritual Xavante do Wapté mnhõno (Terra Indígena Marãiwatsédé, Mato Grosso)

19h – Ana Blaser: “Vivências e Convivências na Aldeia Mrotidjã: uma análise dos processos da educação escolar Xikrin”


QUINTA-FEIRA, 31 de janeiro

9h – Verônica Aldé: “Sustentando o Cerrado na Respiração do Maracá: conversando com os Mestres Krahô”

14h – Maria Elenir Neves Coroaia: “Reflexões sobre as práticas kaingang de cuidados com a gestação, parto e pós-parto e suas interfaces com o sistema oficial de saúde”


SEXTA-FEIRA, 1º de fevereiro

9h – Samantha Ro’otsitsina de Carvalho Juruna: “Sabedoria Ancestral em Movimento: perspectivas para a sustentabilidade”

14h – Maria das Graças Oliveira de Figueiredo: “Proposta de Plano de Curso para a Formação Técnica dos Agentes Indígenas de Saúde do DSEI Cuiabá”

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