Em oito meses de operação, o barco Papaguapé já retirou 11.500 m³ de macrófitas – plantas aquáticas, popularmente conhecidas como aguapés – do espelho d’água do Lago Paranoá, superando a meta prevista para o ano inteiro. Segundo a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), o investimento para a limpeza trouxe resultados bastante positivos em menos de um ano.
A ação da companhia beneficia pessoas que praticam atividades recreativas nos 80 km de margens do Lago Paranoá. A população dos aguapés está praticamente controlada, restando apenas plantas nas proximidades da Estação de Tratamento de Esgoto Brasília Sul, na foz do Riacho Fundo. Segundo o superintendente de Operação e Tratamento de Esgotos da Caesb, Carlos Eduardo Pereira, nos primeiros meses de trabalho, o barco atuou fortemente nas áreas onde havia crescimento descontrolado dos aguapés. “Agora, o que ainda resta, está sob controle e não existe risco de se espalhar pelo lago”, acrescenta.
Desde junho de 2012, o sistema de remoção ceifa e retira mecanicamente os aguapés de dentro da água, evitando, assim, a proliferação dessas plantas. O material retirado está sendo colocado às margens do lago por meio de um mecanismo de transferência de carga. A última etapa é a compressão e a trituração do material. A água retirada das macrófitas – que têm caule esponjoso – é devolvida ao lago, restando somente à planta aquática triturada e semi-seca, o que reduz o custo do transporte terrestre.
Depois de coletado e triturado, o material segue para o aterro sanitário. Está em andamento na Caesb um projeto que estuda a compostagem deste material. Atualmente, em média, são retirados 100 m³ por dia de aguapés do Lago Paranoá.
Por meio do Programa Brasília Sustentável, foram utilizados R$ 3 milhões em recursos do Banco Mundial (BIRD), para a aquisição do barco e dos equipamentos de corte, coleta e armazenamento do material retirado. Em concurso interno na empresa, um dos empregados sugeriu o nome Papaguapé para o barco fabricado pela empresa americana Aquarius Systems.
HISTÓRICO
O presidente da Caesb, Célio Biavati Filho, lembra que na década de 1980, o Lago Paranoá passou por um processo de eutrofização que ocasionou uma explosão da população de macrófitas aquáticas – com o predomínio da espécie Eichhornia crassipes, conhecida por aguapé. O crescimento descontrolado provocou o povoamento de grandes áreas do Lago, sem, no entanto, ser possível ocorrer uma remoção satisfatória devido à grande velocidade de sua reprodução.
Célio Biavati ressalta a importância dos investimentos feitos pelo GDF e Caesb para a recuperação do Lago Paranoá, o que possibilitou a reversão desse processo de eutrofização. O presidente da Companhia acrescenta que “hoje, o corpo d’água constitui-se num exemplo mundial de reversão desse processo que culminou com os intensivos usos atuais da água para recreação e contato primário em mais de 95% de seu espelho d’água, além da real possibilidade de ser um dos próximos mananciais para abastecimento público no Distrito Federal”.