João Pedro Netto
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“O pior de tudo é não saber o que aconteceu com o meu filho.” Esse é o drama vivido pela auxiliar de produção Marlúcia de Matos Caixeta, 36 anos, que marca doloridos dois anos e três meses do desaparecimento de seu filho. Moradora da rua Esperança, em Luziânia, município goiano do Entorno, a 66 quilômetros de Brasília, a mulher denuncia o descaso das autoridades.
Estatísticas da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), de 2010, revelam que esse tipo de ocorrência é mais comum do que se imagina. No ano passado, foram registrados 1.234 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes no DF – mais de três episódios por dia.
A história do filho de Marlúcia, o jovem Diego Henrique, que hoje estaria com 15 anos, não faz parte dos dados da Sedest, que só contabiliza desaparecimentos ocorridos no DF. Mas o triste relato da mãe dá uma ideia do trauma e do vazio que sente alguém que passou por uma experiência como essa. “Esperança eu sempre tenho. Mas preciso saber o que aconteceu com a minha criança. Se ele está vivo, se está morto, se está sofrendo”, desabafa Marlúcia.
O número de casos de desaparecimentos de jovens diminuiu em 2010, na comparação com o ano anterior. Em 2009, foram registrados 1.322 casos no DF, 7% a mais do que no ano passado. Dos 1.234 jovens que desapareceram em 2010, 91,5%, ou 1.130, foram localizados ou retornaram espontaneamente para casa. Cerca de 1%, ou 11 deles, foram achados mortos. Dezenove crianças e adolescentes ainda são considerados desaparecidos e outros 85 casos encontram-se em processo de apuração.
A principal causa para os desaparecimentos de crianças e adolescentes, segundo os dados da Sedest, é a fuga de casa, por rebeldia ou problemas no ambiente familiar – 49% dos registros do ano passado ocorreram por esse motivo. “A fuga de casa é o principal fator. Se fosse possível detalhar esse índice, perceberíamos que grande delas se dá por conta de desentendimentos com familiares ou conflitos dentro do ambiente familiar”, afirmou a assessora da Diretoria de Proteção Social Especial da Sedest, Daisy Boaretto.
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