O sono é primordial para uma vida saudável e realização das tarefas cotidianas. Nesse contexto, a Gerência de Órteses e Próteses da Secretaria de Saúde criou o Ambulatório de Acompanhamento de Distúrbios Respiratórios, um dos principais fatores para a baixa qualidade do sono e outros problemas que afetam a saúde, que irá funcionar às sextas-feiras pela manhã, na Gerência de Órteses e Próteses, na Estação do Metrô da 114 Sul.
O atendimento, diferente do executado pelos Laboratórios do Sono, que diagnosticam os males relacionados ao sono, é voltado a acompanhar os pacientes que fazem uso dos aparelhos CPAP e BIPAP, que alteram a pressão do ar na via aérea, fazendo com que o paciente durma de forma mais tranqüila ou receba uma ventilação mais satisfatória.
Segundo o fisioterapeuta Sérgio Leite Rodrigues, com doutorado na área, a apnéia do sono é uma desordem onde a respiração pára ou fica muito fraca quando a pessoa dorme. Cada pausa na respiração dura geralmente entre 10 a 20 segundos, ou mais. Essas pausas podem ocorrer de 20 a 30 vezes – chegando a 70 por hora- e além de fazer com que a pessoa fique sonolenta no dia seguinte, aumenta o risco de infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC), hipertensão arterial e envolvimento em acidentes de todos os tipos.
Após o exame de polissonografia, feito em laboratório especializado para diagnosticar uma provável dificuldade respiratória durante o sono, o paciente é orientado a adquirir o CPAP ou BIPAP- que exercem uma pressão positiva contínua na via aérea respiratória. Na Secretaria de Saúde, os equipamentos, que podem custar entre R$ 2 a 22 mil, são fornecidos por meio da Gerência de Órteses e Próteses.
O Distrito Federal é a primeira unidade da Federação a oferecer um ambulatório nesses moldes, mas, para ter acesso ao equipamento fornecido pelo SUS e ao acompanhamento feito pela Gerência, é preciso que o paciente apresente os exames que caracterizem a necessidade do tratamento, como o diagnóstico da função pulmonar e muscular.
De acordo com Sérgio Rodrigues, após o diagnóstico não basta o paciente receber o equipamento e levá-lo para casa. É preciso uma orientação técnica para esclarecer o paciente e seus familiares (cuidadores) sobre a sua utilização, fazer a calibragem do aparelho e checar se o tratamento está obtendo bons resultados.
Foi justamente daí que surgiu a idéia de se abrir o ambulatório, como forma de melhorar o acompanhamento e a atenção ao paciente, explica a gerente da Órteses e Próteses, Rosvita Beine. Responsável pelo fornecimento de cadeiras de rodas, muletas, andadores e outros equipamentos que auxiliam no bem estar dos pacientes, a Gerência inicia uma nova fase, com nova sede e ampliação do atendimento.
Além da apnéia, o acompanhamento será destinado aos pacientes com dificuldade respiratória, seja por obesidade, problemas nas vias aéreas, tetraplegia ou esclerose progressiva, o que faz com que alguns pacientes necessitem de suporte respiratório.