Marina Marquez
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Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e conselheira da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), a secretária da Educação do DF, Regina Vinhaes Gracindo, tem projeto ousado para a capital federal. Quer repensar a educação para construir um currículo que vá além das disciplinas tradicionais e do conhecer a matéria dada em sala de aula. Para isso, pretende implementar, em pelo menos metade das escolas do DF, nos próximos quatro anos, a educação integral. “Não gosto de falar em escola integral. Queremos falar em educação integral. E ela nada mais é que o desenvolver do ser humano em todas as suas potencialidades. Cognitivas, claro, mas também potencialidades afetivas, culturais e artísticas”, explica. Mas Regina reconhece os limites e dificuldades que vai enfrentar. Para ela, a infraestrutura das escolas é apenas um dos problemas. A secretária acredita que os recursos humanos também serão dificultadores, já que a oferta de professores para ensinar música, artes, entre outras disciplinas que fazem parte do currículo integral, é pequena. Recém-chegada de um pós-doutorado pela École des Hautes Études em Sciences Sociales, na França, e professora aposentada da SEDF, Regina lamenta uma herança antiga da secretaria, as privatizações. De acordo com ela, essa é uma briga que ela vai comprar, fazendo o possível para tornar realidade a grande maioria dos serviços realizados por profissionais do quadro. Também faz parte dos planos da secretária brigar por um salário para os professores que seja equiparável aos outros servidores do GDF com nível superior, instalar creches em todo o DF para garantir a educação a partir dos quatro anos e trabalhar, junto com o Ministério da Educação, para implementação de escolas técnicas que sejam mais acadêmicas. Sobre a faculdade distrital, fundada pelo ex-governador Rogério Rosso no último dia de governo, Regina tem um pé atrás. “É inconsequente imaginar que pode-se começar um curso sem ter nada e ninguém”.
Em qual situação a senhora encontrou a Secretaria da Educação do Distrito Federal, ao assumir a pasta?
A secretaria é a maior, em tamanho, em complexidade, em número de pessoas, em cargos administrativos e pedagógicos, é realmente um órgão do GDF muito complexo. Sem falar da complexidade do processo educativo em si. Somos como Saúde e Segurança, demandas de maior necessidade e expectativa da população. Mas muitas pessoas não tem noção da realidade do quadro da secretaria, por exemplo. Temos uma quantidade imensa de pessoas que não tem vínculo, só cargo comissionado. Além disso, temos problemas de infraestrutura, entre outras coisas.
A senhora acredita que a Educação foi esquecida no DF nos últimos anos?
A Educação, em todo o Brasil, é um problema sério. A gente olha para a realidade e é difícil. Se você comparar os estudantes do DF com outros locais do País, eles estão relativamente bem. Mas estão mal, perante eles próprios, no que diz respeito a uma educação realmente de qualidade. Nosso ensino ainda demanda muitas ações, ainda está muito frágil. Além disso, tem a questão dos salários. O dos professores do DF é um dos maiores do Brasil, mas não é um bom salário. Não adianta comparar. Qual é um bom salário para o professor? Ele não pode receber menos que uma média de salários de outros profissionais do GDF com nível superior. Seja ele bombeiro, policial, técnico administrativo, jornalista, etc.
Essa é a maior demanda dos professores?
É, e eles têm razão. Se somos todos professores e concluímos o nível superior, o retorno em salário deve ser o mesmo de outras profissões. Mas acaba sendo diferenciado, não por desleixo do governo, mas certamente porque os professores estão em maior quantidade, o que acaba onerando a folha de pagamento. Mas isso é uma luta dos professores que eu, como secretária, recebo bem. Sabendo, no entanto, que não é um princípio inicial, mas uma meta para ser alcançada com o tempo. Em março, por exemplo, é a data-base dos professores, certamente não conseguiremos atingir esse patamar, mas vamos dar um passo para em algum momento atingir o desejável.
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