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Brasília

Saúde pública: sujeira dentro e fora de hospital

Arquivo Geral

16/11/2017 7h00

Foto: Myke Sena

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

A greve dos trabalhadores da limpeza dos hospitais públicos já dura quatro dias e acumula reclamações dos pacientes. Os contratados pela empresa Dinâmica, que aderiram ao movimento grevista na terça-feira, já foram pagos. No entanto, a empresa Ipanema, que atende aos hospitais de Taguatinga, Ceilândia, Brazlândia, Guará e Hospital Materno Infantil, ainda não repassou os salários de outubro, e os funcionários estão parados desde segunda. Se não bastasse a situação dentro das unidades, em Ceilândia, entulho acumulado a céu aberto pode se tornar foco de dengue (veja o quadro).

O Sindicato dos Empregados em Empresas de Conservação e Serviços Terceirizados (Sindiserviços) calcula que pelo menos 700 trabalhadores estejam de braços cruzados. “A Dinâmica pagou os funcionários, que são em torno de 800, na noite de terça-feira. Então, na quarta de manhã eles já voltaram”, afirmou a secretária-geral do sindicato, Andréa Cristina da Silva.

O motivo de somente uma empresa ter recebido o pagamento ainda é desconhecido pelo Sindiserviços. “Não temos a informação do porquê. Acredito que o GDF repassou os recursos só para essa empresa, mas não podemos confirmar”, ponderou a secretária-geral. Mas o governo nega que tenha feito esse repasse até ontem (leia a versão oficial).

Conforme o JBr. informou ontem, os atrasos são constantes: só neste ano ocorreram em janeiro, fevereiro, maio e julho. “Não temos previsão para o fim da greve. É só quando a Ipanema pagar, e ela não deu nenhuma previsão. A empresa diz que o governo não repassa a verba há três meses ”, esclareceu Andréa.

Banheiro do Hospital Regional de Taguatinga estava com o chão totalmente sujo de barro, além da lixeira lotada. Foto: Raphaella Sconetto

Banheiro do Hospital Regional de Taguatinga estava com o chão totalmente sujo de barro, além da lixeira lotada. Foto: Raphaella Sconetto

Sem condições

No Hospital de Taguatinga, a reportagem conferiu a situação do banheiro do pronto-socorro. O espaço estava com o chão totalmente sujo de barro, além da lixeira que tinha papel transbordando. Uma adolescente que esperava pelo atendimento afirmou que, assim que viu o sanitário naquela situação, a vontade logo passou. “Não tem condições de usar. Se está assim aqui de fora, imagina para quem está internado e precisa usar lá dentro?!”, provocou.

O reciclador Márcio Alves Batista, 37 anos, está com o filho internado na ala amarela e relata o problema: “Está um caos. Muito fedor. Vi três pessoas fazendo a limpeza por volta das 15h de ontem (terça-feira), e não vi mais ninguém até hoje (ontem)”, disse. “Tinha muito lixo acumulado nas lixeiras, o chão de onde as pessoas estão internadas está sujo também. Não fui ao banheiro onde os pacientes tomam banho, pois é minha esposa que fica o dia todo, mas acredito que esteja sujo também”, completou.

Coleção de tralhas

  • Além da falta de limpeza, o Jornal de Brasília flagrou uma pilha de entulho na parte de trás do Hospital de Ceilândia. Armários de ferro, vaso sanitário, madeira, móveis antigos e telhas são alguns dos objetos que estão entulhados. Em época de chuva, o perigo de deixar o material ali é notório, pois pode colaborar para a proliferação da dengue.

Lixo acumulado e muita reclamação

Quem depende dos serviços públicos rasga críticas ao governo. Uma mulher que não quis se identificar está com o filho internado na ala cirúrgica do Hospital de Ceilândia e afirma que o local está sem limpeza. “Chão sujo, os banheiros não são limpos há dois dias, lixeiras com lixo transbordando. Não estão fazendo reposição de papel higiênico”, criticou. Na unidade de saúde, o JBr. constatou que os sanitários do pronto-socorro e da maternidade estavam aparentemente limpos, mas o segundo estava desorganizado.

Segundo a mulher, a situação está assim há dois dias. “Tem um garoto perto do meu filho que está usando fralda e as sujas ficam nas lixeiras, fedendo. Isso tudo complica ainda mais a situação de quem corre risco de infecção, o chão está totalmente sujo”, apontou.

A usuária contou ainda que viu apenas uma mulher fazendo a limpeza. “Ela disse que estava lá, mas deixou claro que os colegas estavam em greve. Quem quer o espaço mais limpo tem que limpar. Eu mesma tive que limpar o vômito do meu filho, porque se dependesse deles ia demorar”, disse.

Versão oficial

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que o pagamento das presta- doras de serviço deverá ocorrer até o fim da semana. “A pasta aguarda dotação orçamentária para quitar os débitos de todas as empresas, na mesma ocasião. Não houve repasse recente à empresa Dinâmica”, es- clarece. Em relação ao entulho no HRC, o órgão informou que são bens sem utilidade e que aguardam a conclusão da baixa patrimonial para serem removidos. “A direção da unidade realiza vistorias para que os itens não se tornem criadouros do mosquito Aedes Aegypti”, conclui.

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