Soraya Sobreira
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Se em dias normais os pacientes da rede pública de saúde reclamam da demora no atendimento, em feriados, a situação se agrava ainda mais. Por conta do Carnaval, pacientes acreditam que os funcionários de alguns hospitais, principalmente a equipe médica, tenham deixado de prestar contas no plantão de feriado – como ocorreu no Ano Novo. Assim, muita gente desistiu de se consultar, e aqueles que insistiram enfrentaram uma espera que durou até 13 horas. O Jornal de Brasília percorreu hospitais de várias localidades do DF e constatou as denúncias de mau atendimento.
A balconista Késsia de Sousa, 20 anos, torceu o tornozelo na segunda-feira e desde então teve de fazer uma peregrinação até conseguir ser atendida. No mesmo dia em que sofreu o acidente, ela procurou o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), por volta das 15h. “Eu tive que desistir pela demora. Resolvi ir até o Hospital de Base e depois ao Hospital Regional de Ceilândia, mas todos estavam quase inoperantes. Saí sem ser consultada, já passava das 23h”, relata.
Nova tentativa
Ontem, ela retornou à unidade de Ceilândia logo pela manhã. “Cheguei às 9h e só fui atendida às 14h. Enfaixaram o meu tornozelo e passaram uma injeção para dor”, conta, aliviada.
Já o segurança Márcio Santos de Lima, 37 anos, chegou às 6h30 no Hospital de Santa Maria, e depois de algumas horas foi informado que o único médico presente só atenderia os casos mais graves. “Estou com dor nos rins, e depois de passar pela triagem, eles já avisaram que meu caso não era urgente. Mas só eu sei o que estou sentindo”, resumiu.
Márcio decidiu ir até ao Hospital do Gama. Porém, a situação não era diferente. “Eles dão prioridade para as pessoas que chegam em coma alcoólico, e não para um pai de família que precisa trabalhar. Este é o terceiro dia de serviço que perco”, lamentou.